Terça-Feira, 07 de Fevereiro de 2012







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Rumo leste: Riga
A capital da Letônia mantém traços da dominação soviética e se destaca com belos parques e um conjunto arquitetônico tombado pela Unesco
Texto e fotos: Giovana Zilli
Janeiro 2010

Apesar de ser fim de semana, as ruas no centro histórico de Riga estavam quase vazias. A atmosfera de abandono, tranquilidade e beleza que pairava sobre velhos prédios e ruas estreitas fez com que eu gostasse da cidade imediatamente. A melhor maneira de explorar o centro histórico de Riga é sem mapa, simplesmente perdendo-se no emaranhado de ruelas antigas. No entanto, para quem gosta da ordem dos roteiros, aconselha-se começar pela enorme catedral de tijolos vermelhos e interior austero, tipicamente luterano.

Prosseguindo em direção ao sul da cidade, chega-se à praça da prefeitura, que teve seus prédios góticos reconstruídos alguns anos atrás, depois de terem sido arruinados na Segunda Guerra Mundial. A Igreja de São Pedro fica a poucos minutos, e do alto da torre de 123 metros a vista da cidade é fantástica. Nas redondezas, inúmeras tendas vendem bijuterias e outros artefatos feitos de âmbar (resina fóssil amarelada), muito abundante na região.

O passado de dominação soviética fica mais evidente quando se chega ao Monumento aos Atiradores Letões, próximo do rio Daugava. É um dos últimos exemplares de escultura ideológica que restaram em Riga. O antigo ponto de encontro comunista, que reuniu inúmeras pessoas contra a independência do país, em 1991, hoje é apenas um ponto deônibus. No entanto, o prédio imponente da Academia de Ciências, também conhecido como “Bolo de Aniversário de Stalin”, chama muito mais a atenção dos visitantes para o passado comunista da Letônia. Construído depois da Segunda Guerra Mundial como um marco do império Stalinista, ainda tem a decoração original: quem olhar de perto vai perceber, entre motivos do folclore letão, muitas foices e martelos. 

A Letônia foi parte da União Soviética de 1940 a 1991 e 50% da população atual de Riga é russa. A maioria dos letões de origem não-russa que vive na capital também fala e entende russo - especialmente os mais velhos, que frequentaram a escola na época do comunismo. As duas comunidades étnicas convivem pacificamente, mas têm celebrações e até jornais diferentes, e demonstram uma estarrecedora falta de interesse uma pela outra.

Riqueza arquitetônica

As ruas Alberta e Elizabetes têm a maior concentração de arquitetura ‘Art Noveau’ de Riga, onde se pode admirar o estilo único de Mikhail Eisenstein. Infelizmente, enquanto a maioria dos prédios é bem conservada e foi tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade, muitos outros estão caindo aos pedaços (a Letônia ingressou na Comunidade Europeia em 2004, mas não acredito que tenha recebido ajuda financeira para manter seus tesouros arquitetônicos de pé).

Arabescos em gesso, gárgulas e duas enormes cabeças fazem parte de uma das criações mais famosas de Eisenstein, na Rua Elizabetes, número 10. A riqueza de detalhes está em todos os lugares, mas quem não quiser perder nenhum pormenor, tem que andar olhando para cima. No entanto, cabe alertar: o número de rostos, ninfas e outras criaturas mitológicas que já estarão lançando olhares para baixo causa uma sensação estranha.

Depois, a caminhada pode seguir em direção sudoeste, onde há uma sequência maravilhosa de parques e um longo canal, que separa as partes modernista e medieval de Riga. As áreas verdes, onde moradores e turistas andam lado a lado ou observam o tempo passar, são muito bem cuidadas. Durante o outono, a paisagem se transforma em pintura viva e parece haver crianças e velhas senhoras por todos os lados, à procura de folhas coloridas para suas coleções. No rigoroso inverno, a temperatura pode chegar a mais de 20 graus negativos.

Num desses parques há a Ponte dos Cadeados, que faz parte de uma tradição um tanto curiosa. Todos os anos, recém-casados visitam o lugar e declaram seu amor e união colocando um cadeado na pequena ponte, para logo depois jogarem as chaves no rio.

É possível perceber as duas faces contrastantes da capital da Letônia até mesmo em uma visita curta de final de semana. A Riga contemporânea é uma cidade que cresce com olhos voltados para o Oeste; no entanto, seu passado de dominação soviética ainda está presente, e muito além de prédios e monumentos. Longe do centro histórico e das áreas turísticas, fica mais fácil ter uma ideia de como a maioria das pessoas vive. A economia local luta para sobreviver, mas o patrimônio cultural e natural de Riga põe a cidade entre as mais ricas da Europa.
Bálsamo negro

Um bom restaurante é o melhor refúgio quando a noite se aproxima e as temperaturas começam a baixar. A cozinha local se baseia em frutos do mar e carnes, mas como se espera de uma capital, há boas opções internacionais em vários lugares. Não importa a escolha: o prato pedido sempre vem acompanhado de pão de centeio preto, típico dos países Bálticos. A bebida mais popular é a cerveja, seguida de perto pela vodka. Porém, o que não se pode deixar de provar é o legendário Bálsamo Negro de Riga (Rigas melnais balsams), um destilado escuro e amargo composto de 24 ervas e raízes, normalmente servido com suco de laranja.

Onde ficar

Central Hostel: albergue com excelentes preços no coração de Riga. Diárias a partir de €6 por pessoa, em quarto coletivo. Mais informações pelo site www.centralhostel.lv

The Naughty Squirrel: ideal pra quem viaja sozinho e quer fazer novas amizades. Diárias em quarto coletivo por €10, mas há também quartos de casal (€35) ou para três pessoas (€45) Confira: www.thenaughtysquirrel.com

Hotel Riga: tradicional e luxuoso, esse hotel tem 236 quartos, restaurante e até sauna e pode ser uma ótima opção para um fim de semana romântico. Localização central. Diárias a partir de €45 por pessoa, confira no site www.hotelriga.lv

Couch surfing: Se você quiser ter contato com os moradores de Riga, ao invés dos turistas, entre para a comunidade do Couch Surfing. Você é hospedado (de graça)  na casa de outro membro, conhece a cultura do lugar, muito além da rota turística, faz novas amizades e, se gostar, pode repetir a dose em qualquer outro lugar do mundo. Mais detalhes: www.couchsurfing.org

Como chegar

Avião: Ryanair (www.ryanair.com) é a opção mais em conta, com voos diretos saindo de London Stansted e Dublin (diários), Liverpool e Glasgow (três vezes por semana).

Trem: essa não é uma alternativa aconselhável pra quem mora no Reino Unido, ao menos que você queira parar no caminho e conhecer outros lugares. Dê uma olhada nas opções de itinerário no site www.raileurope.co.uk

ônibus: A Eurolines (www.eurolines.co.uk) tem linhas diretas e indiretas saindo de London Victoria. A viagem leva no mínimo 45 horas e custa em torno de £149 (provavelmente mais do que você pagaria por uma passagem aérea).


www.rigatourism.lv

www.virtualriga.com

www.riga.lv

www.rigathisweek.lv

www.rigalatvia.net

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Jan /12
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