Skye não é apenas a maior das quase mil ilhas que fazem parte da Escócia. Com cachoeiras, vales a perder de vista, arco-íris abundantes e paisagens inspiradoras, é sem duvida uma das mais bonitas também. Com formato de borboleta e clima imprevisível, Skye tem atraído visitantes desde a chegada da linha de trem na vizinha Kyle of Lochalsh, em 1897. Em 1995, uma ponte foi construída, tornando o acesso à ilha ainda mais fácil. Desde o início de sua exploração turística, a Kilt Rock e a cadeia de montanhas Cuillin, cujo pico mais alto tem 992 metros, têm sido os pontos mais visitados. No entanto, talvez seja difícil saber qual a vista mais bonita, com tantos cenários estupendos em volta.
No extremo norte da ilha, que não tem mais que 80 quilômetros de ponta a ponta, o Skye Museum of Island Life é uma boa chance de saber mais sobre seus antigos habitantes. Atrás das casas de telhado de palha que formam o museu, há o túmulo de Flora MacDonald, uma heroína local que teve papel importante no movimento Jacobita do final do século XVII.
No entanto, para quem busca uma maneira mais animada de conhecer a cultura do lugar, nada melhor que um ‘céilidh’ (pron.“quêili”), sinônimo de encontro social, dança e diversão. Originalmente animado por uma banda com violino, acordeon e gaita de foles, no ‘céilidh’ todos dançam freneticamente em círculos e de mãos dadas, e sempre há bebida à vontade.
Mas quem espera ver os nativos saindo de casa com uma garrafa de uísque embaixo do braço, vai o aviso: a famosa “água da vida” (do gaélico ‘uisge beatha’) é a preferida apenas da geração mais velha (com uma gota de água e nunca com gelo). Para os mais jovens, a cerveja parece ser a favorita. ‘Céilidhs’ normalmente acontecem em pubs, como o King Haakon Bar (www.castlemoil.co.uk), próximo a Skye Bridge. Mas não espere o inverno chegar. De novembro a março, muitas lojas, hotéis, bares e restaurantes fecham as portas e a ilha parece entrar em estado de hibernação.
Traços da cultura celta
A costa oeste da Escócia, especialmente a ilha de Skye, atrai muitos artistas e artesões e, logo que se chega, fica fácil saber o motivo. Skye é um lugar de cenários dramáticos, baias entre penhascos íngremes e vilarejos aconchegantes. Os traços da cultura celta estão presentes desde as placas de trânsito bilíngues (inglês-gaélico) até os símbolos de linhas entrelaçadas, encontrados em estampas e objetos de prata.
Portree é a pequena capital onde, além dos motivos celtas nas roupas coloridas da Skye Batiks, você encontra outras oportunidades para comprar os produtos da ilha. A Soap Company tem sabonetes e óleos essenciais feitos à mão e com produtos naturais. O destaque fica para o sabonete de uísque e a barra esfoliante de ‘heather’, arbusto que é muito comum na Escócia.
Há inúmeras galerias e ateliers espalhados pela ilha. Ate bóias de redes de pescar são transformadas em objetos de arte num distante vilarejo de pescadores. Em outro canto da ilha, no atelier Shilasdair, você pode ver Eva Lambert usando liquens e outros pigmentos naturais para tingir a lã, como faziam os antigos habitantes de Skye.
Dicas de viagem
Onde ficar
Ardtreck Cottage
Essa pousada é para quem busca total isolamento e tranquilidade, de frente para o mar, a 50 minutos da Skye Bridge. Quarto para duas pessoas e café da manhã por £60. (www.ardtreckcottage-skye.co.uk)
Flora MacDonald Hostel
As diárias variam de £12, cama em quarto coletivo, a £30 para duas pessoas. Além de cuidar do albergue, os MacDonald também criam pôneis Eriskay, que podem ser vistos nas redondezas do Armandale Pier.(www.skye-hostel.co.uk)
Bayfield Backpackers
Localizado no centro de Portree, tem quartos coletivos para 4 e 8 pessoas. Diárias a partir de £13. (www.skyehostel.co.uk)
The Hirsel on Skye
Para quem pensa em viajar com um grupo de amigos, o ideal é alugar uma das inúmeras casas disponíveis na ilha. The Hirsel on Skye fica na pacata vila de Ord, tem dois quartos onde podem ficar 5 pessoas, e custa apenas £300 por semana na baixa temporada.
(www.thehirsel-on-skye.com)
Como chegar:
Avião: O aeroporto mais próximo fica em Inverness, a 80 milhas da ponte que leva a Skye. A Easyjet (www.easyjet.com) tem voos diários, de London Luton e London Gatwick, a partir de £35 ida e volta. De Londres, a Easyjet também vai a Glasgow e Aberdeen, que ficam a 182 milhas de Skye. Já a Ryanair (www.ryanair.com) sai de London Stansted até Glasgow –Prestwick, a partir de £30.
Ônibus: A National Express (www.nationalexpress.com) sai de London Victoria e chega em Inverness depois de 12 horas e meia de viagem; passagem de ida e volta a partir de £50. O trajeto mais curto a partir de Inverness é em direção a Kyle of Lochalsh, vila mais próxima da ponte de Skye. Há ônibus e trens frequentes ligando os dois lugares. Para quem chegar via Glasgow, há ônibus diários até Portree (percurso de 7 horas), (www.carlberry.co.uk), mas se aconselha alugar um carro, pois fica muito mais fácil explorar a ilha.
Trem: Virgin Train (www.virgintrains.co.uk) leva, em média, 4 horas e meia de London Euston até Glasgow, com bilhetes que vão de £70 a mais de £400. Em Glasgow, pega-se o trem até Mallaig (www.ojp.nationalrail.co.uk), com viagem de 5 horas e custo de £27 ida e volta. De lá sai a balsa até Skye (detalhes abaixo).
Barco: Ao invés de atravessar a ponte, outra maneira de chegar até Skye é através de barco, que sai da vila de Mallaig todos os dias. A travessia dura 5 minutos e custa £15 ida e volta para carro com até 4 pessoas (www.skyeferry.co.uk).
Fique sabendo: Haggis com batatas e uísque
A culinária escocesa é rica em carnes, mas muito limitada em sabores e temperos. Salmão e outros peixes são muito comuns e o bife de Aberdeen é famoso internacionalmente. Mas em termos de tradição, nada se compara ao haggis. Há muitas receitas de haggis, mas em todas elas os ingredientes básicos são coração, fígado e pulmão de ovelha moídos e misturados com cebola, aveia, gordura e sal.
Depois, tudo isso é colocado dentro do próprio estômago da ovelha e cozido em água fervente por três horas. Hoje em dia, pode-se comprar haggis nos supermercados e o estômago de ovelha foi substituído pelo material usado em salsichas e salames, com instruções até mesmo para cozinhar no microondas.
Purê de batatas, nabo e uísque são os acompanhamentos. No entanto, esse prato é hoje quase que exclusivamente consumido na ceia de 25 de janeiro, dia do poeta nacional Robert Burns, que fez por merecer a homenagem. Entre outros poemas mais conhecidos, ele também escreveu a “Ode ao Haggis”.