Sábado, 25 de Maio de 2013







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Os encantos do País de Gales
Menor do que o estado do Sergipe, o principado no oeste da Grã-Bretanha conquista o visitante com suas peculiaridades históricas, gastronomia variada e belos parques nacionais
Texto e fotos: Giovana Zilli
Especial para a Real
Se você nunca ouviu falar de Cymru, esse é o outro nome de Wales, ou País de Gales, em português. Na verdade, Gales nem mesmo é um país. Não passa de um principado do Reino Unido, o que certamente não o diminui como nação,
restrições de poder político sejam postas à parte. Um plebiscito deve acontecer dentro de dois anos e poderá dar maior autonomia ao parlamento do País de
Gales, criado há apenas uma década. Mas ainda que o “sim” ganhe, grande parte das decisões políticas continuará vindo de Londres.

Apesar de ser menor que o estado do Sergipe, o País de Gales tem três parques nacionais que cobrem a quinta parte do território e uma das maiores colônias de pássaros marinhos do hemisfério norte. Todas as placas de trânsito, avisos em banheiros, estacionamentos e outros lugares públicos são bilíngues. E não é só na capital Caerdydd, ou Cardiff. O galês (Welsh) pode ser considerada a mais falada das línguas celtas que incluem o gaélico escocês e o irlandês. Segundo o último censo, 22% da população do País de Gales é bilíngue, número que tem crescido depois de 1993, quando o galês foi promovido à língua oficial, lado a lado com o inglês. Os resultados do
censo também revelam que nas regiões norte e oeste, até 60% da população é fluente em galês. Quem decidir fazer a carteira de motorista não só no País de Gales, mas em qualquer outro canto da Grã-Bretanha, terá essas duas opções de idioma. O mesmo ocorre em muitos outros serviços prestados por órgãos públicos, o que mostra respeito pelas
diferenças, mas também uma certa ânsia tipicamente britânica em se mostrar politicamente correto.

Para os visitantes, ler placas de “proibido fumar” com a inscrição ‘dim ysmygu’ ou ver o símbolo de uma lombada e a palavra ‘twmpathau’ pode parecer divertido e até exótico, mas achar a direção certa por placas de trânsito bilíngues, onde só não há mais palavras por falta de espaço, é mais complicado do que parece.

Principalmente se for no centro de Cardiff, com sua organização caótica e obras que nunca terminam, o que ficou ainda pior depois da construção do gigantesco Millennium Stadium, lotado a cada partida de rúgbi. Aconselha-se ir de ônibus ou trem, o que é mais fácil e barato, principalmente pra quem mora em Londres.

O melhor da capital é o complexo na baia onde deságuam os rios Taff e Ely, com muitos restaurantes, bares e a arquitetura inovadora do Millenium Center (criado à mesma época do estádio, como se adivinha pelo nome), que abriga a Opera Nacional, várias salas de teatro e exposições. Antes de seguir viagem, vale a pena visitar o Castelo de Cardiff, sua torre de estátuas coloridas e salas temáticas, onde cor e riqueza de detalhes não foram economizados pelos restauradores.

Nos arredores de Cardiff

Caerphilly fica a 20 minutos de trem de Cardiff e tem as ruínas de um castelo de 800 anos no centro da cidade. O castelo de Caerphilly só perde em tamanho para Windsor e foi o primeiro no Reino Unido a ser construído com muros concêntricos. O fosso foi totalmente preservado e uma das torres parece um desafio constante à lei da gravidade. Depois de Caerphilly, meu destino era Tenby, na costa sul, ponto de partida ideal pra explorar o Parque Nacional de Pembrokeshire. No entanto, havia um desvio no caminho que leva a um castelo diferente das dezenas de outros que se encontram nas redondezas.

De Carreg Cennen só restam ruínas, mas sua localização é magnífica, isolado no alto de uma colina de 90 metros, com um precipício no lado sul, de onde se avista uma paisagem belíssima de “colcha de retalhos”.

Onde era o porão do castelo, há uma escada estreita em direção a cavernas naturais, que no passado forneciam água através de inúmeros poços e hoje só podem ser visitadas por quem tiver uma lanterna.

Quando finalmente chego à pitoresca Tenby, percebo o formato curioso da cidade: triangular, com duas praias que se encontram no Castle Hill. O terceiro lado é formado pelo que restou do muro medieval que protegia o vilarejo. Entre ruas estreitas e casas coloridas que formam o centro histórico, encontra-se a Tudor Merchant’s House, com móveis originais do século 15. A ilha de Caldey e seu antigo monastério é outra opção pra quem deseja explorar as redondezas.

Do porto de Tenby, os barcos partem a cada meia hora durante o verão e a viagem não dura mais que 20 minutos. Os monges ainda fabricam perfumes e essências a partir de flores e plantas encontradas na ilha, que são vendidos aos turistas. Só compre se for para guardar como souvenir, já que as fragrâncias são insuportavelmente fortes. Quem leva a sério uma caminhada pode até mesmo começar a jornada a partir de Tenby, em direção aos 200 e poucos quilômetros de trilhas que compõem o Parque Nacional de Pembrokeshire. Ao longo de sua costa recortada, há falésias onde vivem aves marinhas exóticas, como o puffin ou papagaio-do-mar. Mas se você quiser apreciar a beleza do litoral sem o esforço de dias de caminhada, há pontos estratégicos com estacionamento ou paradas de ônibus, bastante frequentes durante o verão. A capela de St Govan, incrustada entre as falésias há quase mil anos, e as Stack Rocks, ponto de encontro de milhares de pássaros barulhentos, são imperdíveis.

Edição
Maio
2013
 








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