Sexta-Feira, 18 de Maio de 2012







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Política Esporte Clube
Dilma com a faixa no peito
Texto: Rogério Fischer
Ilustração: Edvaldo Jacinto
Setembro 2010
Política e Futebol

Fosse uma partida de futebol, dir-se-ia que o time da casa, no estádio lotado, foi para o intervalo ganhando por 3 a 0. E o adversário, coitado, embora faça o discurso da caixinha de surpresa, alegando que tudo pode acontecer, está mais perdido que cego em tiroteio, e não sabe se recua para evitar uma goleada histórica, se arrisca-se à frente para fazer um ou dois gols de honra ou, então, arruma alguma artimanha para virar o jogo na base do bico na canela e do dedo no olho, confiando na tolerância do jujú.

Mas é eleição presidencial e, nessa altura do campeonato, Dilma Rousseff (PT) está com uma mão na taça, muito próxima de assegurar a vitória no primeiro turno – enfim, sem prorrogação nem disputa de pênaltis.

Em final de agosto/início de setembro, passados dois terços do tempo de 90 dias da campanha eleitoral, a candidata de Lula abriu larga vantagem nas pesquisas. José Serra (PSDB) começou bem: em julho, tinha expressiva vantagem, como governador de São Paulo que era e como ministro e candidato que foi.

Marina Silva (PV), petista dissidente, novidade em campo, também ostentava, no início da campanha, índices significativos de intenção de voto, próximos dos dois dígitos.

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Numa escalada galopante, Dilma arrebanhou votos dos então indecisos e dos próprios adversários. A um mês do primeiro turno, exibe números que lhe dão a vitória já em 3 de outubro. Todos os institutos – Ibope, Vox Populi, Sensus, Datafolha – apontam-na com a maioria dos votos válidos. Serra empacou nos trinta e poucos. Marina patina nos oito vírgula alguma coisa.

A cúpula do PSDB tratou logo de interpretar a vantagem adversária como fruto do apoio – que já era explicitamente maciço – de Lula na propaganda obrigatória em rádio e TV. Sim, é uma boa explicação. Mas... e daí? Se o atual presidente – que voltou a morar no Palácio do Planalto, após reforma de R$ 111 milhões – passa dos 80% de aprovação popular, o que fará, então, Serra reagir?

E artimanhas, embora haja muito tempo pela frente, não faltaram. Serra, palmeirense que perdeu a eleição de 2002 para o corintiano Lula, usou Lula de todo jeito. No jingle, anunciou que, depois de Luís Inácio, virá ele. Nos programas formais de TV, de maneira mais escancarada, colou sua biografia à dele. Não funcionou.

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E Marina? Até por conta da fragilidade dos demais candidatos, que, juntos, não somam 1% nas sondagens, era tida como o fiel da balança. Primeiro, para provocar o segundo turno, algo absolutamente necessário para o País discutir mais a fundo suas mazelas. Depois, como eventual surpresa, por ser portadora da causa ambiental. O fato é que a amazônica candidata não virou. Não pegou. Até agora.

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O que fazer então, devem estar se perguntando os marqueteiros de todo o Brasil que ainda não estão no barco lulista. Serra, o principal adversário, aparentemente já jogou todas suas fichas. Mostrou que foi um bom ministro da Saúde, com um programa exemplar contra a AIDS, a questão dos medicamentos genéricos, a paternidade do Plano Real, a luta contra a ditadura... Ops! Luta contra a ditadura?

A grande expectativa, agora, está aí: caso Serra decida descer um degrau, pode vir a apostar no conservadorismo do eleitorado brasileiro e escancarar, com o apelo de uma produção bem feita, o passado de guerrilheira de Dilma Rousseff.

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Sim, Dilma integrou um dos grupos mais radicais da luta armada contra o regime militar, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares. Uma das ações mais espetaculares da VAR-Palmares – encabeçada por Dilma – ocorreu em 18 de julho de 1969, no bairro de Santa Teresa, no Rio.

Muito bem informado, um grupo de 13 guerrilheiros invadiu a mansão do irmão de Ana Capriglioni, amante do governador paulista Adhemar de Barros, e arrancou US$ 2,5 milhões de um cofre. Dilma, até agora, nunca escondeu seu passado e, nas vezes em que foi provocada, saiu-se bem. Serra, ele próprio um exilado político, portanto vítima da ditadura, recorrerá a isto? Parece muito pouco provável.

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Afora a expectativa do resultado final, que projeta uma mulher, pela primeira vez, no Planalto, a campanha eleitoral – que inclui eleição para governadores, deputados federais, estaduais e senadores – segue com as mesmices de sempre: muitas figuraças tentando usar a popularidade como trampolim para se dar bem.

A lista de candidatos bizarros à Câmara Federal é imensa, mas pode ser resumida na figura de Francisco Everaldo Oliveira Silva, que ficou nacionalmente conhecido, na década de 90, com a música “Florentina”. Sim, ele mesmo, o palhaço Tiririca. Acessei o site oficial do cara, naveguei para lá e pra cá e não consegui descobrir o partido pelo qual ele é candidato. Mas, afinal, o que isso importa?

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De bom, mesmo, tem a Lei da Ficha Limpa. O projeto, de iniciativa popular, foi ao Congresso em abril com 1,6 milhão de assinaturas. Aprovado, barra candidatura de quem tem condenação em colegiado, ou seja, por mais de um juiz. E quem foi a vítima mais célebre desta lei? Paulo Salim Maluf, o ícone do “rouba mas faz”! O TRE de São Paulo indeferiu a candidatura dele, por uma condenação por improbidade administrativa na época em que era prefeito de São Paulo – uma compra superfaturada de frangos. Como é de seu feitio, Maluf vai recorrer às instâncias superiores, TSE e se preciso o STF. E bate no peito dizendo que ninguém no Brasil tem ficha mais limpa que a dele. Com exceção, talvez, dos procurados pela Interpol.

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