Sexta-Feira, 18 de Maio de 2012







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Marcelo D2: o mundo todo já ouviu o seu tambor!
Rapper carioca traz a sua batida para dois shows na Inglaterra e um na Irlanda
Fabiola Vicençoni
Setembro 2010

A calça é larga, a língua é sem papas e a cabeça uma fábrica de rimas polêmicas. Unanimidade? Com certeza não. Mas desde que subiu aos palcos, pela primeira vez, 17 anos atrás, o carioca Marcelo Maldonado Peixoto, 42 anos, mais conhecido como Marcelo D2, vem conquistando um número cada vez maior e diversificado de fãs. O rapper, que já foi um dos líderes da banda Planet Hemp e, na última década investe na carreira solo, é hoje considerado um dos mais respeitados músicos brasileiros.

O sucesso da mistura hip hop-samba-rock de Marcelo D2 já ultrapassou as fronteiras verde amarelas e, como o próprio rapper diz numa das faixas do último disco, “o sonho foi concretizado; o mundo todo já ouviu e sentiu meu tambor”. E agora é a vez dos ingleses, irlandeses e, claro, dos brasileiros que vivem no Reino Unido e Irlanda, cantar e dançar os hits do carioca. No dia 25 de setembro, Marcelo D2 faz o primeiro show no Reino Unido, em Londres; dia 26 a festa é em Brighton e dia 28, em Dublin, na Irlanda.

No palco, D2 vai apresentar o reportório do último disco “A Arte do Barulho”, lançado em 2008, em que abusa do uso dos recursos do rap. Prova disso é a presença certa de Fernandinho BeatBox, que faz interferências musicais usando a própria boca como instrumento sonoro. No novo disco, D2 reduz um pouco a presença do samba, marcante nos trabalhos solo anteriores, mas, para compensar,vai levar ao palco Ulisses Bezerra, filho do sambista Bezerra da Silva, que morreu em 2005.

Os dois preparam um CD, que vai ser lançado no fim do mês em homenagem a Bezerra. Marcelo D2 também deve agitar o público com as canções que ajudaram a consagrar sua fase solo, como “Maldição do Samba, “Meu Samba é Assim” e “A Busca da Batida Perfeita”. E não se preocupe, D2 anda saudoso, por isso, não deve decepcionar o público que espera ouvir os velhos sucessos do Planet Hemp “Legalize Já”, “Mantenha o Respeito” e “ Dig Dig Hempa”.

Papel, caneta e microfone para evoluir na hora certa

Esta trajetória ascedente de Marcelo D2 no cenário musical é merecida. Desde as primeiras rimas mostrou que não veio para ser igual, para copiar ou aceitar padrões estabelecidos. A música de D2 é desafiadora. Tanto no ritmo, que mistura rock, hip hop e samba de raiz, quanto pelas letras irreverentes, cruas, contestadoras. De onde vem a inspiração? Da própria vida na periferia do Rio de Janeiro, onde Marcelo nasceu e se criou.

Antes da fama, o rapper frequentava palcos bem diferentes. Foi engraxate, faxineiro, vendedor de móveis e camelô. O dinheiro era escasso e a violência constante. Marcelo D2 poderia ter sido mais um engolido pelo esquema do tráfico de drogas. Desafiou o destino. Papel, caneta e um microfone, se encontrou na música e “manteve o respeito”, como diz a letra de uma de suas músicas mais conhecidas. Com o incentivo do amigo Skunk, montou, em 1993, a banda Planet Hemp. Em menos de um ano, o grupo já fazia sucesso no cenário alternativo carioca. Com a morte de Skunk, em 94, D2 assumiu a banda e em 95, com o disco “Os Usuários”, o Planet Hemp já levantava multidões em todo o país.

Maconha e cadeia.

No Planet Hemp, D2 recheava as letras das músicas com apelos a favor da legalização da maconha. Usário assumido da droga, Marcelo não poupava frases bombásticas como “Eu fumo maconha todos os dias”. O rapper também enfrentava a polícia, incitando os fãs a acenderem um cigarro durante os shows. Tanta liberdade acabou incomodando e, em 97, D2 e os demais integrantes da banda acabaram presos, durante um show, em Brasília, acusados de fazer apologia (incentivar ou uso) às drogas.

Os oito dias no xadrez geraram protestos por todo o canto e o grupo foi solto. Marcelo D2 esperou a poeira baixar e voltou com força total. Cantava em altos brados “Adivinhe doutor quem tá na praça? Planet Hemp! Ex-quadrilha da fumaça” e “Não adianta me prender... Eu continuo fumando até a última ponta”, mostrando que não deixaria de falar o que pensa.

Solo, samba e parcerias

Em 1998, Marcelo D2 gravou o primeiro álbum solo Eu Tiro é Onda”, um trabalho paralelo ao Planet Hemp. Em 2003, com o fim da banda, o rapper assumiu de vez a carreira solo e lançou o disco “A Procura da Batida Perfeita”. Inspirado no samba de raiz, achou a rima certa. O hip hop-samba-rock agradou geral e Marcelo D2 ganhou também a atenção do público mais comportado.

O rapper também mostrou um lado família ao cantar “Loadeando”, em parceria com o filho Stephan, na época com apenas 12 anos. Hoje, com 17, o rapaz já tem a própria banda de rap. Sob a influência do samba, Marcelo D2 buscou parcerias interessantes, como Bezerra da Silva e João Nogueira, seus ídolos. Neste ritmo gravou mais um disco, “Meu Samba é Assim”, em 2006. As novas faixas também foram bem recebidas. Quem ainda olhava torto para o rapper, não resistiu.

De marginalizado ao show business2

Carreira sólida nos quatro cantos do país, Marcelo D2 passou a fazer turnês internacionais, pela Europa e Estados Unidos. Ganhou prêmios como o de Melhor Clipe, trilha sonora em novelas e várias de suas músicas estão no filme norte-americano, “Os Turistas”. Desde maio deste ano, D2 ainda pode ser visto, de microfone na mão, entrevistando outros artistas, num programa no canal a cabo Fashion TV.

Marcelo D2 diz que não planeja muito, “vai vivendo”, mas para o próximo ano parece estar com a agenda cheia: um novo disco, a produção de um filme autobiográfico e a mudança com a família para Los Angeles, Estados Unidos, para aperfeiçoar o inglês. No Brasil ou fora dele, envolvido ou não em grandes polêmicas, o que D2 não abre mão é de acreditar num país melhor. No samba ou no hip hop, a ordem é chacoalhar o brasileiro para as desigualdades sociais, violência e a falta de educação. Mas tudo isso, é claro, com muita rima, bom humor e ginga no palco.

Confira no aqui a entrevista de D2 à Real.


Serviço: Turnê de Marcelo D2

25 de setembro, às 21h

Coronet Theatre - Londres

Ingresso: £20 (antecipado) e £25 (no dia)

Tickets online: www.coronettheatre.co.uk


26 de setembro, às 21h

Concorde – Brighton

Ingresso: £20 (antecipado) e £25 (no dia)

Tickets online: www.concorde2.co.uk


28 de setembro, às 21h

Tripod – Dublin

Ingresso: €23 (antecipado) e €30 (no dia)

Tickets online: www.pod.ie

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Mai /12
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