Sábado, 31 de Julho de 2010







Página inicial | Assine a REAL | Anuncie conosco     
InícioReino UnidoBritish Library, um passeio literário  
Forjar documento, o mal brasileiro
Seminário alertou para a grande incidência de brasileiros na falsificação de documentos

Texto: Carol Morandini
Foto: Patrícia Candice

O Brasil detém um “título” nada honroso quando o assunto é o envolvimento de seus cidadãos na falsificação e/ou uso de documentos falsos. De acordo com uma estimativa da Metropolitan Police, os brasileiros são responsáveis por 26% dos casos, ou seja, mais de um quarto do total de delitos registrados. Os números foram revelados durante o 1º Seminário Comunidade Brasileira, realizado pela Abras, Associação Brasileira no Reino Unido, e a polícia londrina no dia 19 passado, no Auditório do City Temple, em Holborn.

A marca brasileira impressiona ainda mais quando verificada a incidência de casos dos “vice-campeões” citados nas estatísticas: Vietnã, com 6%, e Paquistão, com 5% dos casos. “Em Londres existem centenas de comunidades fazendo parte da sociedade. A brasileira traz muita vivacidade e está associada a poucos crimes, porém, a falsificação de documentos é muito elevada entre a comunidade. Queremos que entendam que isso é um crime grave no Reino Unido”, afirma John Kielty, inspetor chefe da Metropolitan Police.
Também representando a polícia estavam Clive Strong – detetive inspetor – e Rafaela Evans, policial comunitária brasileira, que defendeu a atuação de seus colegas. “A polícia inglesa quer diminuir a distância com a comunidade. Não quer apenas controlar, mas derrubar barreiras, afinal prima pela diversidade ainda dentro da própria polícia, uma organização com pessoas de todo o mundo.”

Neste espírito de se aproximar da comunidade, Strong explicou como funciona a Operação Maxim, que lida com crimes migratórios em Londres, sejam eles contra quadrilhas de falsificação de documentos ou tráfico humano. “Não saímos por aí olhando passaporte, mas sim atrás das pessoas que estão fazendo dinheiro com isso”, conta Strong.

Dentro deste tópico, ele citou o exemplo de dois brasileiros presos e condenados por falsificação de documentos. Eles vendiam passaporte da União Europeia por cerca de £500 e tinham uma pequena fábrica montada em flats alugados. Por terem confessado o crime, pegaram de dois a quatro anos de cadeia, período que teria sido muito maior caso negassem o delito. Já os compradores pegos em flagrante podem pegar até nove meses de prisão.

Para finalizar, Strong enfatizou a importância em denunciar crimes de qualquer natureza à policia. Ainda que o cidadão esteja em situação ilegal no país, uma terceira pessoa pode fazer a queixa sem dar o nome do reclamante. Veja no final da matéria os telefones e email disponíveis para encaminhar denúncias.

United Kingdom Border Agency
Em sua palestra, Ceri Williams, detetive inspetora da Becket House, Arrest Team & Central London Family Team, falou sobre seu trabalho no Terminal 3 do Aeroporto de Heathrow, em que interrogou imigrantes que tentavam entrar no país, entre eles muitos brasileiros. O órgão, que faz parte da United Kingdom Border Agency (UKBA), é responsável em proteger as fronteiras e os interesses do território britânico.

De acordo com a detetive, os oficiais são treinados para aplicar as leis, por isso, a cada oito minutos, um imigrante ilegal é removido do país. Em 2007 foram 4.000 ilegais deportados e 1.600 processados. Os cúmplices e todo estabelecimento comercial que admitir um imigrante em situação irregular são multados (a multa pode chegar a até £10 mil) e têm seus nomes colocados na internet. “Infelizmente há um número significativo de brasileiros trabalhando ilegalmente”, aponta Williams, que fez um alerta. “Lembrem-se, para o governo é mais barato remover pessoas que pagam taxas do que mantê-las nas prisões daqui.”

International Organization for Migration (IOM)
Em seu discurso, Gabriela Boeing, explicou que a organização internacional com 120 escritórios espalhados pelo mundo promove diversos programas de imigração, como os dois tipos de retorno voluntário: “Programa de Retorno Voluntário com Assistência e Reintegração”, direcionado aos que pediram asilo, e o “Regresso Voluntário e Assistido para Imigrantes em Situação Irregular”, destinado aos que entraram de forma clandestina, que tiveram o visto expirado ou àqueles que não têm qualquer direito de estar mais no país.

“O caso dos brasileiros se enquadra mais no segundo. Eles devem ir ao escritório, preencher um formulário e assinar uma declaração de retorno voluntário. Depois são tiradas as impressões digitais e comprovada a ficha limpa na polícia. O caso vai ao Home Office (não é preciso informar o endereço) e, se aprovado, a pessoa tem até três meses para voltar e pode escolher a data. Pagamos tudo de porta a porta, mas a pessoa não pode esquecer que há a possibilidade de ser impedida de voltar ao Reino Unido por cinco anos”, explica Boeing.

Segundo ela, os brasileiros têm decidido cada vez mais voltar ao Brasil, pois muitos acham que não vale a pena continuar morando no Reino Unido. Em 2007 foram 340 casos, em comparação aos 416 casos registrados até 19 de setembro.

Vistos de estudante e de dependente
A última parte do seminário ficou a cargo da advogada Vitória Nabas, que esclareceu algumas informações sobre vistos. Dentro do sistema de pontos, o Tier 1 é voltado para os estudantes que terminaram faculdade, pós, mestrados ou doutorados no Reino Unido. “O que muitos não sabem é que eles podem pedir o visto ‘Post Study Work’, que dá a possibilidade de ficar por dois anos aqui para adquirir experiência de trabalho. Mas claro que devem comprovar renda”, conta Nabas.

Além desse, o Tier 4 visto de estudantes se mantém: o estudante deve ter uma conta em seu nome com o valor mínimo de £533 mensais equivalente ao número de meses em que estiver estudando. Nabas também esclareceu que em 30 de julho de 2008 foi decidida na Câmara dos Lordes, equivalente ao Supremo Tribunal Federal do Brasil, que casar na Inglaterra é um direito do cidadão, desde que legítimo e autorizado. Se o casamento for com cidadão europeu, a pessoa pode tirar o visto aqui; se for com britânico, ela deve voltar ao Brasil e regularizar a sua situação por lá.

No espaço aberto a perguntas, os presentes puderam tirar dúvidas. O quórum, porém, foi bem abaixo da expectativa. Afinal, num auditório para 350 pessoas, menos de 50 compareceram ao evento. Apesar da pouca adesão, a Abras e a Casa do Brasil, representadas pelos seus respectivos presidentes, Laércio Ribeiro Silva e Carlos Mellinger, prometem novos seminários para informar a comunidade sobre assuntos relevantes.


Contatos úteis
Denúncias à Operação Maxim
Telefone: 0300 123 12 12
Email: maximbcp@met.police.uk
Crimestoppers: 0800 555 111

United Kingdom Border Agency (polícia de fronteira)
www.ukba.homeoffice.gov.uk
www.ukvisas.gov.uk

International Organization for Migration (IOM)
21, Westminster Palace Gardens, Artillery Row, London SW1P 1RR
Tel.: 0800 783 2332 / www.iomuk.org

Edição
Jul/10
Clique aqui!
Sorteio Real
2
Concorra a cópias do clássico de Glauber Rocha, “Antônio das Mortes, o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, oferecimento da Mr. Bongo Films.








© Copyright 2009 Revista REAL. Todos os direitos reservados.