Terça-Feira, 07 de Fevereiro de 2012







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O Brasil em Cannes
Produções de Luciano Vidigal e Cavi Borges são selecionadas para um dos mais badalados festivais de cinema do mundo
Da Editoria
Maio 2010
A distração de Ivan Os colunistas de cinema da Real, Luciano Vidigal e Cavi Borges, estão rindo à toa. Afinal, ter uma produção selecionada e ser convidado para participar de um dos maiores e mais prestigiados festivais de cinema do mundo, o Festival de Cannes, não é para qualquer um. Por trabalhos distintos, a dupla viajará do Rio de Janeiro à França, onde, de 12 a 23 de maio, acontece a 63ª edição do festival criado em 1946.

Vidigal foi um dos diretores do filme “5x Favela, Agora por Nós Mesmos”, que será apresentado numa das sessões especiais do Festival de Cannes. O projeto, idealizado por Cacá Diegues e Renata de Almeida Magalhães, resultou num longa-metragem com cinco histórias mostrando as múltiplas faces do cotidiano dos moradores das favelas do Rio de Janeiro, escritas e dirigidas por profissionais que vivem nas comunidades.

Com o curta-metragem “A Distração de Ivan”, o produtor e diretor Cavi Borges teve o filme selecionado dentre centenas de concorrentes. A produção estreia no dia 13 de maio e terá oito exibições dentro da programação do festival. A Real bateu um papo com a dupla sobre a participação em Cannes e os futuros projetos.


Primeiro bate bola

Fotos: Cavi Borges

Real - Qual a importância da participação de seu filme no festival de Cannes?
Cavi Borges - O festival de Cannes é o maior festival de cinema do mundo. Todos os países do mundo estão participando e observando os filmes que passam por lá. É uma grande chance de mostrar seu trabalho e conseguir novas oportunidades para seu filme ou mesmo para seu próximo projeto.

Real - Como foi dividir o trabalho de direção com Gustavo Melo?
Cavi Borges - Dividir a direção com outra pessoa sempre é muito difícil. São outras opiniões e outro ponto de vista. Você Cavi Borgesdeve saber lidar com isso e algumas vezes ceder para que no final o filme tenha a cara dos dois diretores. Mas acho que também tem muita coisa positiva. São duas cabeças pensando em fazer o melhor filme possível. E no final das coisas, apesar de todas as diferenças, a amizade é que deve prevalecer. 

Real - Fale um pouco das suas influências cinematográficas.
Cavi Borges - Tenho uma locadora de vídeos e tento assistir a todos os tipos de filmes. Ultimamente tenho assistido muitos filmes brasileiros e franceses. Nesse filme em especial, queria poucas falas e muito olhar, dizer com o olhar. "Central do Brasil" foi uma referência, "O Ano que Meus Pais Saíram de Férias" também.

Real - Quais são os seu próximos projetos?
Cavi Borges - Estou finalizando quatro longas como produtor, preparando o lançamento do meu longa de ficção, "Vida de Balconista", produzindo e dirigindo alguns curtas e finalizando o roteiro do meu próximo longa de ficção, "Um Filme Francês". Fora isso tem algumas séries pra TV que também estou desenvolvendo. Sou um cara muito ansioso e não consigo fazer apenas uma coisa de cada vez.  

 
Segundo bate-bola

Fotos: Luciano Vidigal

Real – Qual a sua expectativa em relação ao "5x Favela"?
Luciano Vidigal - Eu espero que através do cinema a humanidade seja o primeiro plano deste filme. Infelizmente, na maioria dos casos, eu percebi que a favela foi sinônimo de estereótipos e sensacionalismo dentro da mídia. Acredito na arte como poder de transformação e que este projeto tem esta potência.

Luciano VidigalReal - Você acha que o grande público vai gostar do filme?
Luciano Vidigal - Nelson Rodrigues, nosso grande dramaturgo, dizia que "o público é um estranho"... Sinceramente, eu não sei qual vai ser a reação do grande público, mas espero que a maioria se identifique com os personagens e as tramas versáteis dos cinco episódios.

Real – Acredita que esse projeto pode mudar sua carreira?
Luciano Vidigal - É muito gratificante quando você ganha respeito através do seu trabalho. Acredito e sou otimista que “o 5X Favela” vai trazer respeito para cineastas oriundos das favelas.

Real – Você considera que a participação no festival pode influenciar a carreira do filme?
Luciano Vidigal - Somos uma geração de cineastas que teve o privilégio e estrutura para expressar um outro ponto de vista sobre o povo brasileiro. Chegou a vez do povo filmar o povo. E o símbolo de Cannes e o retorno de mídia que envolve o festival traz visibilidade e transforma a carreira do filme.

Real – Algum novo projeto em vista?
Luciano Vidigal - É um documentário, “Copa Vidigal”, que retrata a trajetória de um professor de futebol, da favela do Vidigal, que organiza um campeonato depois de uma violenta guerra entre traficantes, com o objetivo de levar a paz a um lugar traumatizado. É o projeto dos meus sonhos. Acho importante a continuidade da parceria Cavideo e Nós do Morro e espero que o filme tenha uma emocionante estreia no Festival do Rio.


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