Não é só pelo tamanho que o Eden Project impressiona. Construído em 2001, no lugar de uma mina de argila desativada, no sul do condado de Cornwall, esse jardim imenso contém uma coleção com mais de quatro mil espécies de plantas vindas de todos os continentes. Além dos jardins externos, há duas estufas gigantes com plantas tropicais e mediterrâneas. O Eden Project também conta com um centro educacional e 13 hectares de jardins que parecem intermináveis, onde as flores se misturam a cultivares agrícolas, como trigo, milho, feijão, ervilha, abacaxi, alcachofra, repolho e até banana.
Como todo jardim que se preze, o Eden também tem esculturas. A maior delas é um robô de sete metros de altura, construído com a quantidade média de lixo eletro-eletrônico que cada ser humano produz no decorrer da vida: mais de três toneladas. A estufa tropical tem 50 metros de altura, 240 metros de comprimento, umidade e temperatura controladas por computador e uma cachoeira de tamanho respeitável no seu interior.
O objetivo educacional do projeto é evidente não só através das placas contendo informações sobre cada espécie. Mais de vinte instalações artísticas nos fazem refletir sobre a relação entre seres humanos e plantas no
decorrer da história. Além dos absurdos do consumismo moderno, como bananas embaladas em plástico, outras instalações mostram o poder de cura das plantas da Amazônia e como os índios sul-americanos preparam a mandioca e usam o bambu.
Jardins Perdidos de Heligan
Além do Eden Project, Cornwall tem outros jardins impressionantes. Depois de passar por St Austell, a maior cidade do condado apesar de ter apenas 22 mil habitantes, chega-se aos Jardins Perdidos de Heligan, que tem área equivalente a 80 campos de futebol. No entanto, não é fácil se perder por lá. Além do mapa distribuído na recepção, há inúmeras placas de madeira indicando os caminhos.
Esculturas de barro são uma espécie de cartão de visitas de Heligan. A mais impressionante delas retrata uma mulher adormecida em meio às folhagens e, apesar do tamanho, pode passar despercebida a olhos menos atentos. À frente, uma pequena placa explica que uma camada de iogurte aplicada sobre a argila induziu o crescimento de musgos, logo que a escultura foi inaugurada, em 1998.
Há uma história intrigante por trás do nome dos Jardins Perdidos de Heligan. Apesar de criados em 1766 pela família Tremayne, proprietária da Heligan House, os jardins acabaram sendo abandonados nas sombras das duas grandes guerras mundiais. Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, muitas árvores foram cortadas e a Heligan House se transformou em hospital militar, abrigando os feridos em combate. Nos anos 1940, a propriedade serviu de base às tropas americanas, durante a Segunda Guerra Mundial.
Depois de quase um século de abandono, o que restava do jardim-fazenda de quase 80 hectares foi redescoberto por acaso em 1990, por descendentes da família que o construiu. Os trabalhos de restauração começaram logo em seguida. Em 1992, os Jardins Perdidos de Heligan abriram as portas ao público e, desde então, milhares de pessoas descobrem sua beleza todos os anos.
Curiosidade
Existem muitas araucárias na região de Cornwall. Não a espécie brasileira, também chamada de Pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia), mas a chilena, que é um tanto parecida. Apesar disso, no Reino Unido pouquíssima gente sabe o que é uma araucária, pois aqui elas são chamadas de monkey puzzle tree, ou seja, ‘quebra-cabeça para macaco’. Acredita-se que o naturalista britânico Archibald Menzies, em visita ao Chile no século 19, teria trazido consigo alguns pinhões. Assim, a espécie teria sido introduzida no país. Já o nome curioso dado à arvore vem de um comentário feito por um dos amigos de Menzies: “Para um macaco, deve ser um verdadeiro quebra-cabeça subir nessa árvore cheia de espinhos.”
Onde ficar
Albergue da Juventude (www.yha.org.uk): Você pode ficar nos Albergues da Juventude de Golant ou Boswinger, que ficam a poucas milhas do Eden Project e dos Jardins Perdidos de Heligan. As diárias em quarto coletivos custam em torno de £16, com café da manhã.
Trevissick Manor (www.farmstay.co.uk): Além de visitar os jardins da Cornualha, você também pode experimentar um pouco da vida interiorana e sossegada da região se hospedando numa fazenda. Trevissick Manor é a opção mais próxima dos jardins, mas você tem que se hospedar por no mínimo uma semana, o que vai custar no mínimo £200 por pessoa. Já a Poltarrow Farm, que fica em St Austell, aceita estadas mais curtas e tem até piscina coberta. As diárias ficam em torno de £ 35 por pessoa com café da manhã.
Pleasant Streams Farm Camping (www.cornwallfarmcamping.co.uk): Pra quem gosta de acampar, essa é uma das opções mais próximas ao Eden Project. O espaço mínimo, suficiente para uma barraca de duas pessoas, custa só £10 por dia. Estudantes têm 20% de desconto ao se hospedarem por no mínimo três noites.
Como chegar
Carro: Saindo de Londres, são umas 250 milhas até o Eden Project, seguindo pelas estradas M3, M303 e A30.
Ônibus: A National Express tem ônibus saindo de Londres até St Austell, por £52 em média. A viagem dura cerca de 8 horas, incluindo paradas, já que o serviço não é direto. Mais detalhes: www.nationalexpress.com
Trem: Há trens diários e diretos saindo de Paddington Station até St Austell. A viagem dura 4 horas e custa em torno de £80, ida e volta. Confira detalhes no site ojp.nationalrail.co.uk
Avião: Pra quem mora no norte do Reino Unido ou na Irlanda, há voos pela Air Southwest saindo de Glasgow, Manchester, New Castle, Leeds, Dublin, Cork e Bristol até o aeroporto de Newquay, que fica a menos de 20 milhas de St Austell. Há também voos saindo de London Gatwick, que duram uma hora e custam em média £70. Confira no site: www.airsouthwest.com
As entradas ao Eden Project custam £16, com descontos para idosos e estudantes. Para visitar os Jardins Perdidos de Heligan você paga £10. Confira mais detalhes nos sites: