O mercado tem dessas coisas. Um dos índices para avaliar os níveis de consumo e uma crise econômica é o "Leading Lipstick Indicator”, que costuma crescer quando as mulheres, principalmente elas, passam a comprar mais batons, deixando os cosméticos mais caros na prateleira. Mas não só batons, na verdade, todo mundo começa a apertar o cinto, cortar supérfluos, economizar. Ao invés de comprar o último soro anti-idade daquela marca francesa luxuosa, se contenta com um batonzinho. Ninguém vai morrer por causa de um batom, vai?
Ainda estamos em crise, fato! E as vacas magras de 2010 decidiram driblar os tempos bicudos não com um batom, mas sim com esmaltes. Uma pesquisa realizada pela Kline & Company, uma empresa de consultoria internacional, conseguiu identificar o quadro do consumo de produtos de beleza nos Estados Unidos pós-recessão, em 2009. O resultado? Os esmaltes ganharam dos, praticamente invencíveis, batons.
Enquanto os batons (e gloss) sofreram uma queda de 5,3% nas vendas em relação ao ano anterior, as vendas de esmaltes cresceram 14,3%. O tal fenômeno de economia tem uma explicação. De acordo com a consultoria, uma delas é a moda das cores vivas e diferenciadas que passaram a habitar nos carrinhos de manicure de todo o mundo e, por outro lado, a necessidade de começar a fazer as unhas em casa para economizar.
A febre dos esmaltes é mundial. E, talvez, a primeira delas que atingiu as mulheres em tempos de internet 2.0, uma “doença” que as une independentemente do continente de residência. Se antes uma senhora passava bem com dois ou três esmaltes em casa, agora sente a necessidade de colecionar vidrinhos. A caça pela cor da moda ou pelos últimos lançamentos das marcas mais badaladas virou uma competição bem típica do universo feminino. E vai tentar explicar a necessidade de comprar mais um esmalte azul para quem não compartilha a doença, só para ver o que acontece...
Influência das passarelas
Difícil identificar o início dessa mania. Talvez tudo tenha começado quando os esmaltes passaram a fazer parte do look mostrado nas passarelas. Estilistas começaram a realizar coleções de esmaltes em parceria com marcas de cosmésticos (olha o caso do brasileiro Reinaldo Lourenço e a Risqué) e as grifes que ditam moda perceberam que os esmaltes têm o poder de “puxar” toda uma coleção de maquiagem. É o caso do “Jade Chanel”.
Em 2009, mais precisamente no desfile da coleção de inverno, as modelos da Maison Chanel apareceram com um esmalte verde-água na passarela. Logo depois, soube-se que se tratava do “Jade”, nome de batismo dado por Peter Phillips, o diretor criativo da divisão de beleza da grife com o aval de Karl Lagerfeld, à cor que se tornaria um cult entre as fashionistas e loucas por esmaltes de todo mundo. O produto esgotou em poucas horas para reaparecer no eBay a mais de US$ 200,00 (o preço original era de € 20,50).
Foi o que bastou para uma invasão de esmalte verde. Praticamente todas as marcas, grandes ou pequenas, lançaram a sua versão para o esmalte mais cobiçado do mundo. As celebridades passaram a exibir as unhas com a cor (de Claudia Leitte a Drew Barrymore) e depois do Chanel 4017 Jade, a indústria dos esmaltes nunca mais foi a mesma.
Enquanto no Brasil as brasileiras vão à procura do esmalte para usar no inverno 2010, quem mora na Europa se prepara para colorir as unhas de todas as cores, desde que as mesmas sejam vibrantes, cheias de energia e que representem a vontade de calor depois de um longo e tenebroso inverno. No Brasil, além da atenção constante ao que acontece no Velho Mundo, estão super na moda o cinza, o azul escuro e os tons de nude (do marrom acinzentado ao mais bege possível).
Tendências da estação
Marcas gigantes, como a Risqué e a Impala, apostam no esmaltes foscos, outra tendência bem forte em terras tupiniquins. Para quem está por aqui, vale “importar” o que o povo no Brasil usou e abusou no verão 2010: tons fluo, laranja, o bendito verde-água, os azuis em todas as suas tonalidades e o rosa “chiclete”. Mas se a sua intenção é fazer morrer de inveja as amigas do Brasil, use e abuse dos esmaltes coloridos nos tons pastel. Dizem por aí que os tons pastel serão o nova febre na terrinha, coisa para a próxima primavera/verão.
A vontade louca de comprar esmaltes ou a obsessão pelos últimos lançamentos é fichinha perto do universo das unhas decoradas. Amada por muitas, odiadas por outras tantas, a tal da unha decorada é talvez um dos mistérios da beleza feminina, uma linha sutil entre elegância e breguice, um assunto mais polêmico do que religião ou futebol. Basta dar uma navegada pela internet para perceber que a busca por fotos de unhas decoradas é quase tão voraz quando àquela por mulher pelada.
Okay, talvez seja um exagero da minha parte, mas se vocês me permitem um conselho: esqueça os bichinhos, florzinhas, patinhas de cachorro, coqueiros e outras delicadezas. A ‘nail art’ evoluiu muito e até mesmo nas passarelas mais exclusivas do planeta, as unhas não são mais simplesmente “unhas”. Para ficarem cool, elas podem ter mais de uma cor, com francesinhas misturando texturas (tipo, esmalte brilhante com esmalte fosco) e cores contrastantes (meia lua preta com esmalte dourado, por exemplo); ou uma cor em cada dedo, ou ainda estampas quase industriais de tão perfeitas.
Acompanhar os lançamentos e todas as tendências é praticamente impossivel. Afinal de contas, temos apenas 20 dedos. Quem consegue, virou uma espécie de celebridade deste louco mundo de esmaltes e acetonas. Já viu a quantidade de blogs sobre esmaltes e as fotos (swatches) das meninas testando a cor na própria mão que existem por aí?
Enquanto a crise não passa, entregue-se ao consumo desenfreado. Custa pouco! Deixe-se levar por essa mania mundial, trazendo um pouco de cor – e, porque não, glamour – para o santo esmalte de cada dia.
Janaína Ávila
www.novidadeiras.com.br