Todo piloto (motorista, para os mais “certinhos”) tem o sonho de pilotar (dirigir) um bólido super potente, com motorzão de mais de 400 cavalos, um autêntico muscle car, mas gostaria de fazer isso sem colocar muito a mão no fundo do bolso. Não estou falando do preço do carro, porque aí já seria demais, mas, pelo menos, ter um alto desempenho com baixo consumo de combustível. Isso tudo, considerando o tipo de veículo, porque quem quer economia de verdade tem que comprar o tal de 1.0, mas aí é uma outra história ou, como diria a minha avó Maria, “são outros 500 a menos”.
Quem procurava por esse sonho, agora já pode parar de sonhar e apalpar – com todo o respeito – a realidade do pony car Mustang GT 2011, que promete unir o melhor de dois mundos – alto desempenho e baixo consumo – trazendo de volta o motor V8 5.0, em versão totalmente nova e com tecnologia avançada. Produzido em alumínio, com quatro válvulas por cilindro e duplo comando variável independente (Ti-VCT), ele gera potência de 417 cv e torque de 54 kgfm, com um consumo de combustível imbatível dentro do segmento.
O modelo traz também direção com assistência elétrica e calibração especial, discos de freio de 11,5 polegadas na frente e 11,8 polegadas na traseira e suspensão aprimorada, com novo braço de controle e mancais estabilizadores na traseira. Para os entusiastas, oferece ainda a opção de freios Brembo do Ford GT500, com discos dianteiros ventilados de 14 polegadas, rodas de alumínio de 19 polegadas e pneus de alta performance.
Dos distintivos 5.0 no para-choque à nova cobertura do motor, o Mustang GT honra a tradição de visual diferenciado da linha. O velocímetro vai a 160 mph (257 km/h) e o conta-giros exibe a faixa vermelha no intervalo de 6.500 a 7.000 rpm. Ele recebeu também reforços estruturais que aumentam a rigidez da carroceria e aprimoram a dirigibilidade.
O Mustang GT 2011 traz ainda uma série de novas tecnologias de conveniência. Vem equipado com centro de mensagens, espelhos com visor de pontos cegos, sistema de chave programável MyKey e controle remoto de garagem universal.
Coyote no saguão
Muitos dos engenheiros do time de desenvolvimento da Ford trabalharam no prédio de Motores e Engenharia Elétrica da matriz em Dearborn e durante anos caminharam ao lado do motor V8 5.0 original, o Coyote Indy de competição, exposto no saguão, inspirados pela sua combinação de tradição, alta tecnologia e potência.
O time desejava há muito tempo desenvolver um novo motor 5.0, que começou a ser idealizado no início de 2000. Em 2007, o cenário competitivo do Mustang começou a mudar, sinalizando o momento de avançar a sua motorização para níveis de classe mundial.
O objetivo inicial do projeto era superar a potência de 400 cv, em um cronograma que foi antecipado em 12 meses sem concessões de confiabilidade, durabilidade, economia de combustível e controle de ruídos, vibrações e asperezas. Mais do que um motor poderoso, o Mustang 2011 oferece economia de combustível responsável.
O projeto contou com o uso extensivo de modelagem por computador, experimentação e avaliação, que permitiram o lançamento dessa nova configuração em um espaço de tempo reduzido.
Comando Ti-VCT
O comando de válvulas variável Ti-VCT é um dos elementos críticos que permitem ao novo motor V8 5.0 gerar 417 cv com melhor dirigibilidade, tração e economia de combustível em comparação ao Mustang GT 2010. Para essa aplicação de alto desempenho, o time desenvolveu um comando de válvulas variável que utiliza o torque do motor com assistência de óleo pressurizado. A grande eficiência térmica e volumétrica garante respostas rápidas do Ti-VCT em todas as faixas de rotação.
Essa configuração resultou em um novo cabeçote de alumínio, com quatro válvulas por cilindro e trem de válvulas compacto, que deixa mais espaço para as entradas de ar de alto fluxo. Sua estrutura foi projetada para suportar uma pressão maior nos cilindros e a refrigeração de fluxo cruzado para operação em alta rotação.
O reservatório do cárter, de aço estampado, teve sua capacidade ampliada para garantir o uso em alta rotação e a conveniência da troca de óleo em intervalos de 16.000 km. Jatos de resfriamento dos pistões também foram incorporados para aquecimento mais rápido do óleo nas partidas a frio.
Desempenho e economia
Os 417 cv de potência e 54 kgfm de torque do Mustang GT V8 5.0 2011 representam um significativo avanço em relação ao modelo 2010. Com transmissão automática de seis velocidades, ele tem um consumo estimado de 10,6 km/l na estrada e 7,2 km/l na cidade. Com a transmissão manual de seis marchas, faz 10,2 km/l na estrada e 6,8 km/l na cidade, mesmo nível do modelo 2010, mas com um ganho considerável de potência e desempenho.
Esse desempenho é favorecido pelo baixo peso do motor, com cerca de 160 kg – uma redução de mais de 20% em comparação com o 5.0 anterior. Essa massa menor deve-se ao bloco e cabeçote de alumínio, coletor de admissão e coberturas em composto de baixo peso e eixos vazados.
O comando de válvulas Ti-VCT, a transmissão de seis velocidades, automática ou manual, a direção com assistência elétrica e o vedamento aerodinâmico do porta-malas são outros fatores que contribuem para a economia de combustível do Mustang GT 2011.