Terça-Feira, 21 de Maio de 2013







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Visto de estudante
Entrevista com Michael Mohallem, presidente da Associação de Brasileiros Estudantes de Pós-Graduação e Pesquisadores na Grã-Bretanha
Carine Vargas
Maio 2011

"O equívoco, porém, é imaginar que os problemas de imigração serão resolvidos com o endurecimento das regras de emissão de visto para estudantes." - Michael Freitas Mohallem

Real – Por que tantos brasileiros escolhem estudar no Reino Unido?
Michael Mohallem - Estudantes de inúmeros países desembarcam todos os anos no Reino Unido em busca do ensino de excelência, da experiência de vida agregada aos estudos e do prestígio proporcionado pelo diploma britânico. Estes fatores certamente motivam os brasileiros. O Reino Unido recebeu 21.534 estudantes brasileiros nos últimos cinco anos e o Brasil era, em 2008, a 12ª nacionalidade em número de vistos de estudantes emitidos. Em 2010, o Brasil caiu para a 17ª posição.

Real - Por que muitos deles decidem ficar por aqui? Não seria mais interessante levar o conhecimento adquirido para o país de origem?
Michael - Do ponto de vista de oportunidades de trabalho, me parece que o Brasil, atualmente, tem muito mais a oferecer ao recém-graduado que ingressa no mercado de trabalho do que o Reino Unido. Mas a pergunta abre a possibilidade de esclarecer uma generalização equivocada sobre o número de estudantes que permanecem ilegalmente no Reino Unido após expirado o visto. Uma recente pesquisa sobre imigração de estudantes no Reino Unido, de fevereiro de 2011, feita pelo 'Institute for Public Policy Research', conclui que um percentual relativamente pequeno de estudantes (em torno de 20%) ficam no Reino Unido por cinco anos ou mais e apenas 10%, aproximadamente, ficam definitivamente.

Real - Qual a sua opinião sobre as mudanças no visto de estudante?
Michael - As mudanças, de um modo geral, são equivocadas pois não devem contribuir significativamente para a redução dos números gerais de imigração no Reino Unido, além de impactar negativamente no número de estudantes estrangeiros e por consequência na economia britânica. Há uma incoerência gritante entre propósitos e meios: não é possível atrair os 'melhores e mais brilhantes' estudantes do mundo ao mesmo tempo em que se restringem prerrogativas como a possibilidade de, ao final dos estudos, permanecer por mais dois anos no país ou se ampliam as exigências para comprovação de fundos. O processo de obtenção do visto é custoso e excessivamente formalista. Ademais, a classificação de brasileiros como 'nacionalidade de alto risco' do ponto de vista da imigração acrescenta dificuldades no processo de comprovação de documentos e fundos, além de exigir que o brasileiro, ao chegar e sempre que se mudar de endereço, se submeta a longas e humilhantes filas.

Real - Na sua opinião, o que deveria mudar nas definições dos vistos?
Michael - Compreendo a necessidade de que países que recebem muitos imigrantes adotem regras mais rígidas para evitar que os vistos de estudantes se tornem uma porta de entrada para imigrantes que permanecem ilegalmente. O equívoco, porém, é imaginar que os problemas de imigração serão resolvidos com o endurecimento das regras de emissão de visto para estudantes. O prejuízo que a comunidade acadêmica do Reino Unido arcará ao perder talentosos estudantes para outros países (sem falar nas elevadas 'tuition fees' que engordam os orçamentos das universidades) não encontra contrapartida proporcional na insignificante redução de imigrantes que entram como estudantes e permanecem ilegalmente.As regras de vistos deveriam levar em conta a enorme contribuição que estudantes de ponta fazem ao conhecimento e à ciência produzidos no Reino Unido, ao invés de tratá-los como criminosos em potencial. Há uma relação de troca e não apenas um serviço prestado por instituições de ensino (particularmente no nível de mestrado e doutorado) e as leis de imigração deveriam ser capazes de diferenciar esse contexto peculiar do estudante.

 


 



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