Se as torres gêmeas do World Trade Center caíram de maneira espetacular no dia 11 de setembro de 2001, o troco se deu na mesma moeda: na noite de 1º de maio, quase dez anos depois do maior ataque terrorista da História, uma tropa de elite da Marinha norte-americana matou Osama Bin Laden, desde então inimigo público número 1 dos Estados Unidos. Em uma operação cinematográfica, agentes entraram pelo ar – foram utilizados dois helicópteros – em uma fortaleza que abrigava o líder da Al-Qaeda a menos de um quilômetro de distância de um regimento militar paquistanês em Abbotabad, ao norte da capital Islamabad.
A diferença entre as duas ações é que o drama americano foi acompanhado em tempo real pelo mundo todo, desde que um primeiro avião, dos quatro que foram sequestrados por agentes de Bin Laden em diferentes aeroportos do país, atingiu a torre sul em NY. Durante horas, ao vivo, foram exibidas imagens das torres atingidas e depois desmoronadas, a saga de um avião atirado contra o Pentágono e outro que, acredita-se, estava sendo dirigido à Casa Branca porém caiu antes, derrubado pelos passageiros rebeldes – estes, sim, grandes heróis.
No Paquistão, a operação militar – desferida sem o conhecimento do governo local – durou 38 minutos e foi acompanhada apenas pelos agentes em ação e, remotamente, nos Estados Unidos, por alguns poucos graduadíssimos funcionários civis e militares. As poucas imagens da operação – a troca de tiros inicial, o avanço dos agentes até a sala de Bin Laden, a execução do terrorista e o corpo dele supostamente sendo jogado no mar – manter-se-ão guardadas a sete chaves.
Mesmo uma "simples" foto de Bin Laden morto, que muitos exigem para acreditar na morte do terrorista, deve ser negada ao mundo pelo presidente Barack Obama. Com razão: além de apenas saciar o desejo tétrico de milhões de indivíduos, uma imagem de Bin Laden estourado também teria o poder – não desprezível, nunca – de atiçar mais ódio e rancores contra os ianques imperialistas. Não foi por outro motivo que, embora alegando respeito a tradições islâmicas, o corpo teria sido jogado no mar. Enterrá-lo, fosse em qualquer solo, significaria criar na Terra um local de admiração e peregrinação para adeptos do fundamentalismo religioso. Ou seja, nitroglicerina pura.
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No Brasil, o senador paranaense Roberto Requião está anos-luz à frente de qualquer rival na disputa pelo posto de inimigo número 1 dos repórteres brasileiros. Há alguns anos, então governador, Requião – jornalista formado em Curitiba – coroou a truculência com que sempre tratou a imprensa e, durante uma coletiva, torceu o dedo do repórter Fábio Silveira, do Jornal de Londrina. Há alguns dias, agora no Senado, tomou o gravador das mãos de Victor Boyadjian, repórter da rádio Bandeirantes que lhe havia feito uma pergunta sobre a aposentadoria que recebe como ex-governador do Paraná. O gabinete de Requião devolveu o aparelho ao jornalista – mas sem o cartão de memória.
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No Congresso, duas matérias disputam o posto de "número 1" das prioridades nacionais. Uma está no fim – o novo
Código Florestal. A outra, apenas começando – a reforma política. A revisão do Código Florestal está para ser votada a qualquer momento, depois de muita discussão e polêmica. O relator do projeto, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), é estigmatizado como um defensor do agronegócio. A votação que se avizinha vai opor fortemente ambientalistas contra a bancada ruralista.
O novo código introduz mudanças como a redução de 30 metros para 15 metros (chega-se a falar em 7,5 metros) da área de mata ciliar em margens de rios. Outras polêmicas são a isenção a pequenos produtores de cumprir os percentuais de reserva legal e a anistia a produtores que desmataram até julho de 2008. A presidente Dilma Rousseff já sinalizou que cumprirá compromisso assumido em campanha e vetará pontos do projeto que afrouxem regras de proteção ambiental e anistie crimes.
Já a reforma política começa finalmente a sair das discussões acadêmicas. Foram criadas comissões na Câmara e no Senado. Paralelamente aos trabalhos parlamentares, partidos enviaram suas propostas para apreciação. A comissão do Senado aprovou recentemente suas primeiras propostas. Entre os principais pontos, dão fim à reeleição e às coligações partidárias nas eleições proporcionais. Aprovam o financiamento público de campanhas, reforçam a fidelidade partidária e adotam a candidatura avulsa. Com o fim da reeleição, é provável que o mandato presidencial passe a ser de cinco anos.