O continente africano sedia a maior festa do futebol mundial pela primeira vez na história, de 11 de junho a 11 de julho, com a realização da 19ª Copa do Mundo na África do Sul. O ineditismo do local contrapõe à probabilidade de um roteiro pré-definido, onde as estrelas e mais fortes candidatos ao título são Brasil, Itália, Alemanha e Argentina. Atual campeã europeia, a Espanha é a maior ameaça aos favoritos na luta pelo “Oscar do futebol”. Como bons coadjuvantes, Inglaterra, Holanda, Portugal e França. E, para completar, uma leva de figurantes, com destaque aos africanos Nigéria, Camarões e Costa do Marfim, que sonham em surpreender o mundo atuando em seu território.
Quatro anos depois do fracasso na Alemanha, quando foi eliminado nas quartas-de-final pela França de Zidane, o Brasil volta ao palco de uma Copa com um elenco reformulado. Mais do que caras novas, a filosofia implantada pelo técnico Dunga foi decisiva para a escolha dos 23 protagonistas. Tudo para apagar os excessos de 2006, quando cada ensaio, principalmente na fase de preparação, estava mais para espetáculo circense. Nos palcos, um elenco apático. Fora deles, baladas que ficaram famosas nas noites alemãs, encenadas por algumas das estrelas da companhia.
Com isso, astros decadentes e fora de forma, como Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo Fenômeno, perderam espaço e verão a Copa pela televisão. O único que figurava na lista dos suplentes, em maio, era Gaúcho, que para disputar o Mundial dependia que um dos convocados para o meio-campo se contundisse.
Nem todos que participaram do fiasco em solo alemão, porém, foram chamuscados pela pífia campanha. Dos 23 convocados por Dunga, oito estiveram na Alemanha. Os zagueiros Lúcio e Juan e o meia Kaká foram titulares de Carlos Alberto Parreira e permanecem na mesma condição com o novo técnico. O volante Gilberto Silva atuou em quatro dos cinco jogos e o atacante Robinho, em três partidas. Ambos também figuram entre os 11 preferidos de Dunga. O lateral Gilberto disputou um jogo e o zagueiro Luisão e o goleiro Julio César, hoje titular absoluto, não foram aproveitados.
Destes oito, três têm maior cartaz na seleção e foram pentacampeões com Luiz Felipe Scolari em 2002: Lúcio e Gilberto Silva, como titulares, e Kaká, na época ainda aspirante a astro. Outro pentacampeão resgatado por Dunga foi o volante Kleberson, que se em 2002 teve ótimo desempenho na jornada vitoriosa, hoje figura entre os reservas do Flamengo.
Sucesso de bilheteria?
Se disciplina e comprometimento - palavra muito usada pelo treinador desde que assumiu a direção, após a Copa 2006 - contam muito para um bom resultado na Copa, o elenco levado por Dunga à África do Sul deixa no ar um ponto de interrogação no público-torcedor brasileiro. Afinal, num país onde nascem estrelas reluzentes a cada ano, integram a companhia nomes pouco expressivos, como Josué, Ramires, Felipe Melo, Grafite e Michel Bastos. E outros que já tiveram seus ápices na carreira: Kleberson, Gilberto e Gilberto Silva.
Dunga, que já não era muito popular quando atuava, mas mesmo assim levantou a taça do tetracampeonato em 1994, nos Estados Unidos, não se importa com críticas. Ao contrário, aposta na unidade do elenco e na mistura do pragmatismo da seleção tetra de Parreira com o espírito da “família Scolari” de 2002 para calar a boca dos críticos e conquistar o hexacampeonato.
A seu favor, os títulos da Copa América, contra a Argentina, em 2007, e da Copa das Confederações, ano passado, além do primeiro lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas. Contra pesa o fato de que a companhia está longe de empolgar as plateias e carece de talentos. Torçamos, pois, para que ela se afine durante cada longa-metragem de 90 minutos, volte a exibir peformances de gala e marque mais uma vez o seu nome no hall da fama do futebol.
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