Terça-Feira, 07 de Fevereiro de 2012







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“5 X Favela”
Colunista da Real faz uma crítica da produção que representou o Brasil em Cannes
Cavi Borges
Julho 2010

2Acabei de chegar de uma exibição-cabine do filme “5 X Favela agora por nós mesmos” lá num shoping do Rio de Janeiro, só para a equipe do filme, antes da sua premiere no Festival de Cannes. Como já era esperado, muitas palmas e emoções da galera que participou de todo esse longo projeto. 

Apesar do meu grande envolvimento e amizade pelos diretores e equipe, confesso que me surpreendi com o que vi. Tenho certeza que vai surpreender também muitos críticos e cinéfilos que esperam mais um filme de favela cheio de violência, mortes, pobreza e outros estereótipos da favela e dos filmes sobre ela. 

A violência e as armas estão lá sim, mas muito de relance e como coadjuvantes dos filmes. Salvo o curta: “Concerto para Violino”, de Luciano Vidigal, que trata desse assunto como foco principal. 

Por mais que não traga nenhuma grande novidade na linguagem e estilo, “5 X Favela” traz um olhar diferente e cheio de frescor sobre aquele ambiente. Sempre ouvi o Cacá Diegues falando sobre o projeto e como ele acreditava que um olhar de dentro pra fora iria surpreender a todos. E realmente isso acontece. 

Esqueçam os curtas e exercícios realizados “na raça” por essa galera. Esqueça esse discurso de cinema digital e a democratização que ele fez no cinema. Esqueça os filmes de favela com conotações e objetivos sociais.

O “5 X Favela” filmado em película e com toda a estrutura de um longa metragem da Globo Filmes, deu a oportunidade a esses realizadores mostrarem seu valor e talento para contar suas histórias. Na minha opinião esse é o grande mérito desse filme: as histórias. 

Histórias aparentemente simples e ao mesmo tempo ricas em detalhes. Mostra muito mais que a pobreza e suas consequências. Discute moral, amizade, hierarquia, política, amor, corrupção e é carregado de muito humor em todas as suas histórias. 

Em falar de humor, o quinto episódio que fecha o filme, “Acende a Luz”, de Luciana Bezerra, é muito engraçado. Em alguns momentos me lembrei de algumas comédias italianas de Monicelli e Fellini. Uma verdadeira pérola que mostra o dia de Natal sem luz na comunidade e todos os problemas que envolvem esse fato, como as dificuldades do vendedor de gelo, a cabeleireira cheia de clientes esperando pela volta da energia para arrumar seus cabelos, o drama vivido pelo técnico de empresa que conserta a luz no local, que é impedido de voltar para casa antes de consertar o poste, entre outros.

Trazendo um conjunto de personagens, cada um cheio de vida própria e muita luz. Essa luz que falta na favela sobra em cada fotograma desse episódio.

Cavi Borges é diretor e produtor de cinema


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