Erradicar a miséria e transformar o Brasil num país de classe média sólida e empreendedora. Esses foram os principais desafios assumidos por Dilma Roussef, 63 anos, em seu discurso de posse no Congresso Nacional como a primeira mulher presidente do País, no dia 1º de janeiro, em Brasília. “A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos. Uma expressiva melhora ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, mas ainda existe a pobreza a envergonhar e a impedir a nossa afirmação plena como povo desenvolvido”, disse Dilma após ser empossada no cargo, ao lado do vice-presidente, Michel Temer.
Apesar da promessa, Dilma ponderou que a pobreza não pode ser eliminada de forma isolada e, por isso, pediu o apoio das "instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e de das pessoas de bem." "A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações", afirmou.
Para manter o crescimento, a presidente prometeu manter a estabilidade econômica e combater a inflação. “Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.”
Liberdade de imprensa
No primeiro discurso, Dilma também destacou o fato de ser a primeira mulher a ocupar o cargo. "Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres, também possam, no futuro, ser presidentas; e para que - no dia de hoje - todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher", afirmou. A presidente também garantiu a defesa da liberdade de culto e de imprensa. "Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio, a censura e a ditadura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos."
A presidente chorou ao falar sobre sua participação na luta armada contra a ditadura militar (1964-1985) e homenagear os que "tombaram pelo caminho''. Ela fez menção à tortura ao dizer que suportou as "adversidades mais extremas" infligidas a quem "ousou" "enfrentar o arbítrio''. "Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor''.
Elogios a Lula
No discurso que fez ao povo reunido na Praça dos Três Poderes, Dilma Roussef elogiou o antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. “Sob sua liderança, o povo brasileiro fez travessia para outra margem de nossa história. Minha missão é consolidar essa passagem”. Segundo a presidente, o governo Lula, no qual atuou como ministra desde 2003, reduziu “uma histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando milhares a alcançar a classe média”. “Mas num país com a complexidade do nosso é preciso querer mais, inovar mais, buscar novos caminhos”, disse.
Apesar de fora do poder após oito anos, Lula deve ser figura carimbada no governo Dilma, como a própria deixou claro em suas palavras. “Lula estará conosco. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade", afirmou. Emocionada, a presidente finalizou sua fala, dizendo que o Brasil tem condições de se tornar o "maior e o melhor país para se viver".