Terça-Feira, 07 de Fevereiro de 2012







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Documento falso: o barato que pode sair caro!
Por Rafael Pieroni
Quem é brasileiro e mora no Reino Unido há algum tempo já deve ter ouvido falar sobre o mercado ilegal de documentos falsos. Mas o que parece ser a maneira mais simples de conseguir ficar por aqui pode se tornar uma verdadeira roubada. Tudo bem, para quem é apenas cidadão brasileiro e não tem o privilégio de possuir uma dupla cidadania europeia , ficar por muitos anos no Reino Unido de maneira legal não é nada fácil.
Na verdade, são poucas as opções: você precisa estar com o visto de estudante em dia (e renová-lo de acordo com as regras do Home Office), ter um visto de trabalho provando que a sua empresa precisa dos seus serviços por aqui ou aplicar para o “High Skills”, onde a sua renda e a sua qualificação é que contam pontos.

E eis que surge um caminho mais “fácil”: falsificação de documentos ou casamentos de conveniência.Cuidado, porque os riscos dessas escolhas darem errado são grandes. As duas ações são ilegais e você pode acabar se complicando ainda mais se optar por um destes caminhos. Foi o que aconteceu com uma jovem de 27 anos de São Paulo, que preferiu se identificar apenas como Mariana.

Vítima de golpe
Para conseguir ficar mais tempo na Inglaterra, ela não pensou duas vezes. Conheceu um angolano com passaporte português e resolveu se “casar”. Tudo num acordo. Para ter direito ao passaporte europeu como dependente de um português, ela pagou £4 mil ao angolano. “Foi difícil conseguir a grana, mas eu achei que seria um investimento”, lembra.

Mas o que seria a solução para um problema virou uma grande dor de cabeça. Obrigada a viver com o angolano para manter as aparências, ela se sentia intimidada pelo “marido”. “Ele ficava me beijando e aproveitava todas as oportunidades para mostrar que eu teria que ser a esposa dele de fato, mesmo com o acordo dizendo que tudo era falso.”

Para piorar, apenas alguns meses depois do “casamento”, ela descobriu que o passaporte que ele dizia ter, na verdade, era mentira. “Ele me garantiu que tinha o passaporte, mas quando quis dar entrada no meu documento, descobri que ele ainda precisava de autorização do Consulado Português. Nem ele tinha o passaporte”, conta.

Farsa desmascarada, ela deixou de viver com o angolano e enfrentou um outro problema: pedir o divórcio. Mariana precisou desembolsar mais £500 para se ver livre legalmente do oportunista. Com tantas despesas e psicologicamente abalada, o jeito foi voltar para o Brasil. “Acabei me dando mal com essa história. No início, o marido ou esposa por conveniência parecem ser pessoas confiáveis. Mas depois a gente vê que nem tudo sai conforme o combinado”, alerta.

Documentos falsos
Outra tática para ficar por aqui é a da documentação falsa, ideia cada vez mais perigosa. Depois dos atentados terroristas em Londres, em 2005, a polícia britânica vem fechando o cerco e intensificando as investigações sobre as quadrilhas especializadas em falsificação de documentos. De acordo com um levantamento feito pela Scotland Yard, existem cerca de 170 grupos falsificando passaportes que já foram monitorados pelas autoridades. Em setembro de 2006, dois brasileiros foram condenados a cinco anos de prisão depois que a polícia descobriu uma fábrica de documentos falsos. Em janeiro de 2008, mais sete brasileiros foram presos em Hackney, no leste de Londres, alguns acusados de falsificação e outros por portarem documentos falsos.
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