Com previsões de que a economia do país crescerá em torno de 5% em 2011 e com os dois maiores eventos do esporte mundial agendados consecutivamente dentro de poucos anos em solo verde amarelo, o Brasil sem dúvida está caminhando para o futuro a passos largos. Os olhos do mundo têm acompanhado tal façanha, o que tem despertado cada vez mais o interesse dos estrangeiros pela nossa cultura.
No entanto, a falta de recursos e apoio das autoridades têm dificultado a manutenção das nossas raízes no exterior. Pensando nisso, pais e profissionais do ensino têm driblado as dificuldades e estão conseguindo manter viva a nossa cultura, através do incentivo ao aprendizado de nossa língua no Reino Unido.
A Real acompanhou de perto o trabalho dessas pessoas, que com boa vontade e dedicação têm feito a diferença em nossa comunidade.
Tomando a iniciativa
Uma dessas pessoas é André Stéfano Debiagi, coordenador do projeto de difusão da língua portuguesa para crianças e adultos – LPI (Light Project International), em Islington, norte de Londres. Com uma vida dedicada a projetos de ensino às comunidades carentes no Brasil, André sentiu o desejo de criar um novo projeto: aulas de português para crianças e estrangeiros. Para concretizá-lo, foi em busca de apoio.
"Havia em minha comunidade, em Islington, muitas famílias de brasileiros que não queriam perder o vínculo com a nossa língua e cultura. Sendo assim, escolhi a LPI para apresentar a minha ideia, pelo fato dessa entidade desenvolver mais de doze projetos educacionais na comunidade."
A iniciativa de André foi bem aceita pela LPI, que cedeu o espaço físico para a realização dos cursos. Depois, para conseguir mais apoio, André procurou a ABRIR (Associação Brasileira de Iniciativas Educacionais no Reino Unido).
"Ana Souza, diretora da entidade, me ofereceu ajuda imediatamente. Inicialmente o plano era abrir uma ou duas classes no máximo, mas graças ao auxílio da ABRIR, começamos os nossos cursos com seis turmas (três de adultos e três de crianças), incluindo aulas de gramática e redação para brasileiros. Recebemos também grande suporte de associações, igrejas, blogs e revistas, tais como a Real, durante o processo de divulgação," conta André.
Outra pessoa que também faz parte do projeto da LPI é a professora voluntária Claudia Roberta Padoan. O nascimento do filho Vinicius despertou nela o interesse pelo estudo do bilinguismo e o aprendizado de português para estrangeiros. Dessa forma, Claudia, que já dava aulas de inglês no Brasil, resolveu prestar seus serviços, dando aulas de português às crianças e adultos na LPI.
"Ensinar português para as crianças como segunda língua não é tão simples, pois as mesmas são alfabetizadas na língua inglesa. Sendo assim, nossas aulas são descontraídas com brincadeiras, jogos e música. A intenção não é somente passar o conhecimento sobre a língua, mas também ensinar a criança a gostar e apreciar a cultura brasileira," diz Claudia.
Would you like to learn Portuguese?
Um outro desafio para Claudia é dar aulas de português aos adultos estrangeiros. Em sua classe ela conta com alunos de várias nacionalidades e interesses diversos sobre a cultura brasileira. Essas aulas têm uma dinâmica diferenciada, apropriada para um turista que vai visitar o Brasil e pode se sentir suficientemente capaz de pedir informações básicas do dia-a-dia, sem ter que recorrer à ajuda de um intérprete.
"O ensino de português para os adultos difere muito do das crianças. Esses estudantes querem aprender português porque já possuem interesse pela nossa cultura, como a música, capoeira ou convivem com brasileiros", explica Claudia.
A italiana Galatea Mancini, que estuda há um mês na LPI, se enquadra nesse grupo. Movida pela sua paixão à prática da capoeira, Galatea resolveu estudar português para aprender a cantar as músicas das rodas e saber mais sobre a nossa cultura. "Em 2009 fui ao Brasil e depois de visitar Fortaleza e Bahia, meu interesse pela capoeira cresceu, e a vontade de aprender a língua também", conta.
Para a colega de classe de Galatea, a espanhola Pilar Lara Cruz, aprender o idioma tem melhorado sua comunicação com as pessoas de língua portuguesa que utilizam os serviços das organizações as quais ela presta serviço voluntário."As aulas têm me dado suporte para entender melhor as necessidades das pessoas que nos procuram e aprimorar o meu
trabalho", ressalta.
Já no caso do inglês Andrew Howland, seu interesse pelo idioma já é um pouco mais familiar. Ele é casado com uma brasileira e por isso sentiu a necessidade de se aprofundar mais nas raízes verde amarelas. "Quando vi que meu filho de 8 anos que também estuda na LPI estava falando português melhor que eu, senti que havia chegado a hora de fazer algo para mudar a situação," brinca Andrew. "No entanto, as aulas me deram muita confiança. Hoje quando vamos ao Brasil visitar a família da minha esposa já posso me comunicar bem melhor e consigo pedir informações sem a ajuda de ninguém. Além disso, se um dia decidirmos morar no Brasil, já chegarei lá falando português," comemora.