Sábado, 31 de Julho de 2010







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Palavra da especialista
Ana Souza, membro-fundadora da ABRIR, responde dúvidas comuns que passam pela cabeça
de muitos pais
Ana Souza é PhD em Sócio-lingüística e membro-fundadora da ABRIR
Dezembro - 08

Existe muita confusão em relação ao bilingüismo, mas isso não deve ser
encarado como um problema, pois as crianças assimilam línguas de uma
forma natural e acabam por ser favorecidas em relação àquelas que crescem
usando apenas uma língua materna.

Numa conversa interessante sobre este mundo, a membro-fundadora da ABRIR, Ana Souza, explicou o que muitos se questionam: Meu filho terá problemas de aprendizado? E como isso funciona na cabecinha deles? É preciso encaminhálos a uma psicóloga?

Com a palavra, Ana Souza:
“A mãe fala com a criança em português, é a língua da mãe. O pai fala
diferente – inglês ou uma terceira língua – é a língua do pai. Para a criança isso
tudo é normal, ela não sente como um idioma só. Com menos de dois anos, ela
já sabe dizer que a mãe fala uma coisa e o pai outra. Ela pode até não dizer que isso é português ou inglês, mas sabe que
a mãe usa um código e o pai, outro. É possível observar a criança falar uma língua, virar para a outra pessoa e falar
a outra língua. Às vezes pode acontecer da criança demorar mais para falar em relação àquela que só fala um idioma,
mas isso também não é um problema. É simplesmente que ela está processando mais informações, mais códigos.
Outro momento importante ocorre quando a criança começa a ir à escola.

Ela vai perceber que o inglês é mais falado, então a importância da informação dos pais em entender que ela precisará de um esforço maior para continuar a falar português. Portanto, os pais têm que levá-los para conversar com outras
crianças em português, para festinhas, para o Brasil com freqüência, assim como ter livros em português em casa,
vídeo, tudo o que puderem para manter a língua presente.

É preciso também entender que a alfabetização em português é importante. Alguns pais pensam que as
crianças aprenderão por osmose, e isso não acontece. Eles podem até entender o que você fala, mas aprender a falar
e a escrever é essencial para garantir o acesso dessas crianças a vários aspectos culturais, assim como para garantir
que o português não seja colocado em segundo plano.
A alfabetização em português pode ser feita ao mesmo tempo que em inglês. Como falado acima, a criança entende que os códigos são diferentes desde muito cedo. A mistura das duas línguas por vezes acontece, mas não é um problema. Na verdade, toda criança bilíngüe está em vantagem em relação às monolíngües em termos cognitivos, de criatividade e flexibilidade de adaptação a culturas diferentes.

Nas atividades educativas da escola, por exemplo, as crianças falam perfeitamente o português, aí quando viram
para brincar com o colega, o fazem em inglês, porque a identidade dela com o amigo é a de fazer parte do grupo
dele, afinal eles falam inglês. A língua, portanto, é mais uma coisa que entra em negociação com a criança.
Algumas crianças podem precisar de apoio psicológico por algum motivo ou outro, mas não é o fato de falar duas
ou mais línguas que causa problemas. Antigamente dizia-se que o bilíngüe ou poliglota tinha dupla personalidade, mas
não é isso. Deve-se entender que a cultura em que uma língua é usada difere de outras. Às vezes a gente não percebe,
mas mudamos um pouco de comportamento quando falamos uma língua ou outra. “Você se adapta à cultura da
língua, e a criança também.”


Parte 1 - Educando a nova geração
Parte 2 - Personagens de um mundo bilíngue
Parte 3 - O desafio da integração
Parte 4 - Palavra da especialista 
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Jul/10
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