A busca por
melhores condições
de vida,
oportunidades de
trabalho e estabilidade
financeira são
as principais razões
da emigração brasileira. Atualmente, cerca de três
milhões de brasileiros vivem no exterior . Para alguns,
a emigração é apenas temporária, para estudar, viajar
ou fazer um pé-de-meia para voltar ao Brasil com estabilidade financeira. Mas, para outros , é definitiva e
para conseguir se integrar bem na nova casa é preciso
estar disposto a enfrentar dificuldades , desafios e a
própria solidão.
“Não exis te receita para se integrar . O importante é
estar aberto a novas experiências, mudanças, respeitar
a cultura local , mas valorizar a própria cultura e as raízes. É preciso ser flexível, mas sem perder a personalidade”,
explica a psicóloga, mestre em psicanálise pela
Tavistock/University of East London e voluntária da
Associação Brasileira no Reino Unido (ABRAS), Denise
Garcia ( foto ao lado).
Aqueles que emigram com toda a família têm mais
preocupações como, por exemplo, em relação à alfabetização dos f ilhos . Segundo Denise, para a criança que
chega ao novo país depois de ter f reqüentado a escola
no Brasil, a integração pode ser mais difícil, pois ela já
foi alfabetizada, criou laços afetivos . “Mas a forma de
adaptação depende muito da família. Cada um tem uma
situação diferente, suas necessidades , seus objetivos e
todas essas questões influenciam na capacidade de se
adaptar bem no país escolhido”, afirma a psicóloga.
Os pais precisam entender que é uma transição difícil de cultura e língua, mas se for bem apoiada, pode e
deve ser uma experiência muito positiva para os filhos.
“A criança que fala mais de uma língua é aberta para o
mundo, tem maior capacidade de raciocínio, é criativa”,
explica Denise. Segundo ela, muitos pais não têm
conhecimento disso e às vezes esse fato é tomado como
uma coisa negativa. “Alguns pais acham que aprender
dois idiomas ao mesmo tempo pode causar confusão
na criança mas , na verdade, elas aprendem com muita
naturalidade”, diz.
Mas nascidos no Brasil ou em qualquer parte do
mundo, é muito impor tante que os pais preservem a
língua e a cultura brasileira na educação dos filhos . “A
criança precisa conhecer suas raízes , aprender português
e um pouco da cultura também, ter orgulho de
ser brasileira. E, ao mesmo tempo, é importante ela
aprender a língua falada no país em que está vivendo e
se adaptar bem com a cultura local”, explica Denise.
Preservando a cultura
No caso das crianças que já nascem no exterior, a
adaptação é muito mais rápida, natural, assim como
o aprendizado da língua local. “Normalmente, nesses
casos, as crianças tendem a falar menos em português,
por isso é impor tante que ela tenha contato com outras
cr ianças brasileiras e, se possível, freqüente aulas de
português”, aconselha Denise. Segundo ela, para preservar
a cultura brasileira, os pais podem incentivar
a leitura em português, contar histórias do folclore,
ouvir música, levar as crianças a peças de teatro e até
se engajar em alguma associação brasileira.
Denise também é mãe e já viveu essa situação quando
decidiu mudar-se com o marido e a filha para a
Inglaterra há um ano. “Minha filha nasceu no Brasil e
chegou a Londres com três anos . Ela iniciou a pré-escola
aqui [Londres] e se adaptou muito bem”, contou.
Apesar de o marido ser inglês, Denise busca manter
viva a cultura brasileira e, para isso, procura visitar o
Brasil todo ano, além de ter livros, DVDs e CDs brasileiros em casa. “Nós temos um caderno onde colamos
figuras do Brasil”, disse.
Para manter vivas as lembranças da filha, Denise
sempre mostra fotos da família e amiguinhos brasileiros. “Eu procuro fazer com que ela entenda que, apesar
da distância, é possível manter contato com aqueles
que ficaram no Brasil e nem sempre estamos f isicamente
perto de todas as pessoas que amamos .”