Sábado, 31 de Julho de 2010







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InícioEspeciaisO desafio da integração (Parte 3)  
O desafio da integração
"Não existe receita para se integrar”, diz psicóloga
Amanda de Santa
Dezembro - 08

A busca por melhores condições de vida, oportunidades de trabalho e estabilidade
financeira são as principais razões da emigração brasileira. Atualmente, cerca de três milhões de brasileiros vivem no exterior . Para alguns, a emigração é apenas temporária, para estudar, viajar ou fazer um pé-de-meia para voltar ao Brasil com estabilidade financeira. Mas, para outros , é definitiva e para conseguir se integrar bem na nova casa é preciso estar disposto a enfrentar dificuldades , desafios e a
própria solidão.
“Não exis te receita para se integrar . O importante é estar aberto a novas experiências, mudanças, respeitar a cultura local , mas valorizar a própria cultura e as raízes. É preciso ser flexível, mas sem perder a personalidade”, explica a psicóloga, mestre em psicanálise pela Tavistock/University of East London e voluntária da Associação Brasileira no Reino Unido (ABRAS), Denise Garcia ( foto ao lado).

Aqueles que emigram com toda a família têm mais preocupações como, por exemplo, em relação à alfabetização dos f ilhos . Segundo Denise, para a criança que chega ao novo país depois de ter f reqüentado a escola no Brasil, a integração pode ser mais difícil, pois ela já
foi alfabetizada, criou laços afetivos . “Mas a forma de adaptação depende muito da família. Cada um tem uma situação diferente, suas necessidades , seus objetivos e todas essas questões influenciam na capacidade de se adaptar bem no país escolhido”, afirma a psicóloga.

Os pais precisam entender que é uma transição difícil de cultura e língua, mas se for bem apoiada, pode e deve ser uma experiência muito positiva para os filhos. “A criança que fala mais de uma língua é aberta para o mundo, tem maior capacidade de raciocínio, é criativa”, explica Denise. Segundo ela, muitos pais não têm conhecimento disso e às vezes esse fato é tomado como uma coisa negativa. “Alguns pais acham que aprender dois idiomas ao mesmo tempo pode causar confusão na criança mas , na verdade, elas aprendem com muita naturalidade”, diz.

Mas nascidos no Brasil ou em qualquer parte do mundo, é muito impor tante que os pais preservem a língua e a cultura brasileira na educação dos filhos . “A criança precisa conhecer suas raízes , aprender português e um pouco da cultura também, ter orgulho de ser brasileira. E, ao mesmo tempo, é importante ela aprender a língua falada no país em que está vivendo e se adaptar bem com a cultura local”, explica Denise.

Preservando a cultura
No caso das crianças que já nascem no exterior, a adaptação é muito mais rápida, natural, assim como o aprendizado da língua local. “Normalmente, nesses casos, as crianças tendem a falar menos em português, por isso é impor tante que ela tenha contato com outras cr ianças brasileiras e, se possível, freqüente aulas de português”, aconselha Denise. Segundo ela, para preservar a cultura brasileira, os pais podem incentivar a leitura em português, contar histórias do folclore, ouvir música, levar as crianças a peças de teatro e até se engajar em alguma associação brasileira.

Denise também é mãe e já viveu essa situação quando decidiu mudar-se com o marido e a filha para a Inglaterra há um ano. “Minha filha nasceu no Brasil e chegou a Londres com três anos . Ela iniciou a pré-escola aqui [Londres] e se adaptou muito bem”, contou.

Apesar de o marido ser inglês, Denise busca manter viva a cultura brasileira e, para isso, procura visitar o Brasil todo ano, além de ter livros, DVDs e CDs brasileiros em casa. “Nós temos um caderno onde colamos figuras do Brasil”, disse.
Para manter vivas as lembranças da filha, Denise sempre mostra fotos da família e amiguinhos brasileiros. “Eu procuro fazer com que ela entenda que, apesar da distância, é possível manter contato com aqueles que ficaram no Brasil e nem sempre estamos f isicamente perto de todas as pessoas que amamos .”


Parte 1 - Educando a nova geração
Parte 2 - Personagens de um mundo bilíngue
Parte 3 - O desafio da integração
Parte 4 - Palavra da especialista 
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