Já faz algum tempo que falar inglês deixou de ser um diferencial no currículo, mas uma obrigação. Nada pode destruir mais uma carta de apresentação do candidato a um emprego do que expressões como “inglês básico”. Para conquistar uma vaga, promoção ou mesmo se manter no mercado de trabalho, falar inglês tornou-se quesito fundamental.
“Antigamente, as empresas exigiam o inglês apenas para cargos específicos, sendo comum o funcionário não dominar a língua e utilizar a ajuda de uma secretária bilingue, por exemplo. Mas, com a globalização e expansão do mercado, o ritmo dos negócios mudou e as negociações desceram para todos os setores, tornando imprescindível o conhecimento do inglês,” avalia a analista de recursos humanos, Michele Avelar.
Para se adequar aos padrões do mercado, o jovem brasileiro se vê numa corrida em busca da fluência num segundo idioma, que pode ser medida pela quantidade de brasileiros que viajam ao exterior para estudar. Segundo dados da Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta), associação que reúne as principais instituições que trabalham com cursos, estágios e intercâmbios em outros países, 120 mil brasileiros viajaram com esse objetivo em 2008, contra 86 mil em 2007 e 71 mil em 2006.
Marinheiro de primeira viagem
É o caso de Tiago Duarte, 22, que em janeiro desembarca em Londres para uma temporada de seis meses de estudo do idioma. “Hoje em dia acredito que todo mundo precisa falar inglês. Para mim, que estudo administração, será fundamental para alcançar maior êxito na minha carreira,” diz.
Para o êxito da “missão”, Tiago traçou diretrizes para a estada em terras britânicas: morar em casa de família inglesa ou dividir quarto só com estrangeiros e procurar por trabalho e sala de aula com o menor número de brasileiros. “Não imagino que será fácil, mas tenho que evitar logo de início. E não é que eu não queira encontrar brasileiro porque não gosto, tenho que tentar evitar porque agora eu não quero falar português, quero aprender inglês. Esse é o meu objetivo e não sei se terei outra chance, então vamos lá,” diz, empolgado.