Sábado, 31 de Julho de 2010







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O inglês nosso de cada dia
Não importa quanto tempo você more no Reino Unido: há sempre mais a conhecer quando o assunto é o aprendizado ou aperfeiçoamento do inglês

Bete Kiskissian e Dayane Garcia Janeiro 2010

Adaptação ao clima, à cultura, às pessoas e à língua. Esses são alguns dos desafios que enfrentamos ao deixar o Brasil para aterrissar em solo inglês. Após um período de residência no país, as barreiras vão sendo superadas, mas uma delas em especial é mais difícil de se ultrapassar: a da língua. Foi pensando na importância do tema e em como colaborar para que os brasileiros vençam os obstáculos no aprendizado ou aperfeiçoamento do inglês que a Real decidiu dar destaque ao assunto na primeira matéria especial de 2010.

Depois de certo tempo vivendo no Reino Unido, é natural que as pessoas pensem que ter um bom domínio da língua já seja o bastante. Afinal, tudo pode se tornar mais fácil: conseguir emprego, fazer amizades e descobrir a cidade. O inglês, definitivamente, não deve ser mais uma fonte de preocupação quando passamos a compreendê-lo, certo? Não necessariamente!

Até mesmo para quem tem fluência no idioma, o sotaque, por exemplo, pode ser um grande vilão. É o caso da disputa por um cargo onde exige-se boa dicção, ou seja, pouco ou nenhum sotaque. Um candidato qualificado pode ser preterido por outro na disputa por uma vaga de trabalho porque na entrevista não falou ‘health’, colocando apropriadamente a língua entre os dentes ao pronunciar o ‘th’.

Esses detalhes, os quais às vezes não nos damos conta, podem estar atrasando a vida de muitos que têm batalhado para deixar de lado o mundo do subemprego. Se você é um dos que pretendem alçar voos mais altos em 2010, confira as experiências de vida de brasileiros que moram em Londres e fique sabendo dos cursos e recursos disponíveis no mercado (alguns gratuitos) que podem ajudá-lo a aprender ou a se aprimorar no idioma mais famoso do mundo. Só depende de você. ‘Go ahead and Happy New Year!’

Medos e expectativas

A ideia do intercâmbio cultural vem sempre acompanhada de muitos medos e expectativas. Como será a recepção por parte do novo país? O nível de inglês será suficiente para resolver as questões diárias? Como lidar com as diferenças culturais, saudade, carência, trabalho, moradia...?

Para Giovanna Piergalline, 25 anos, passar por esse processo de dúvidas e ter a oportunidade de achar as respostas por si mesma, no próprio dia-a-dia, além de ser algo normal, enriquece a experiência. Mas, ela ressalta, é preciso ter cuidado com relação às expectativas, principalmente quando relacionadas ao inglês.

“A gente vem pra cá imaginando que vai respirar inglês minuto a minuto e que falar português será coisa rara, mas não é bem assim, ainda mais tratando-se de Londres. O contato com brasileiros, seja na rua, escola, trabalho ou mesmo em casa, uma vez que é comum dividir casa aqui, é muitas vezes quase que inevitável,” diz.

Há um ano e meio em Londres, Giovanna conta que a ideia inicial era passar apenas um ano na capital britânica e então retornar para o Brasil falando inglês fluente. Após um mês em residência estudantil, passou a dividir quarto e casa com brasileiros, uma vez que traços culturais como hábitos, regras, noções de higiene, entre outros, são os mesmos, ou ao menos, próximos. Na escola e trabalho, o contato com outros povos e línguas, que por um lado significa enriquecimento cultural, por outro, difere da ideia inicial de somente praticar e aprender o puro e genuíno inglês britânico.

“A gente vem com uma expectativa enorme, imagina uma realidade que não é real. E isso se mistura ao fato de que não só o inglês é novidade, mas tudo ao redor. Talvez por querer alcançar esse todo e por erros que vamos cometendo durante a experiência, vê-se que seis meses ou um ano acabam não sendo suficientes,” aponta Giovanna.

É aí que, para muitos, da expectativa vem a cobrança e a frustração em relação ao nível de inglês alcançado. “Acho que não vale se cobrar, mas vale a pena ser mais atento para com que o fazemos. Se parar pra prestar atenção, dá pra ver quantas situações poderíamos ter optado pelo inglês. São pequenos detalhes, mas que fazem uma enorme diferença no final da experiência,” recomenda Giovanna.

Paixão pela língua

A história de Tathiana Santana, 31, não é muito diferente da maioria dos brasileiros que saem do Brasil para morar em Londres. Contudo, a paixão pela língua inglesa foi um estímulo para que ela encontrasse o emprego que tanto queria, depois de muitos anos morando na capital inglesa. Tathiana chegou a Londres em 2000 afim de conhecer novas culturas e aprimorar seu inglês, que era, segundo ela, “muito básico”.

Depois de estudar o idioma durante seis meses, ela começou a travar conversações simples e isso a estimulou a estudar mais e mais. “Quanto mais eu estudava, mais eu gostava da língua inglesa. Trabalhei como garçonete durante vários anos, enquanto estudava, justamente para conseguir um emprego melhor,” conta.

Com vontade de se aprofundar no assunto, Tathiana também dava aulas particulares de inglês e fez todos os cursos possíveis e imagináveis até tirar o CAE (Certificate in Advanced English), exame voltado àqueles que querem ter amplo conhecimento do idioma para fins profissionais e sociais.

Depois de garantir o CAE, Tathiana sentiu que havia chegado a hora de aliar a sua experiência de bancária (cargo que ocupava no Brasil) aos conhecimentos da língua e decidiu tentar empregos na área administrativa. Após muita procura, ela trabalhou como administradora numa imobiliária e hoje é assistente administrativa para o MRC (Medical Research Council).

Mesmo trabalhando na área que gosta, Tathiana continuou a estudar inglês e passou no CPE (Certificate of Proficiency in English), ano passado. Atualmente, ela está cursando o segundo ano da faculdade de Administração no Birkbeck College, University of London e deixa uma dica para quem quer se aprimorar no idioma.

“Posso afirmar que ter estudado inglês foi fundamental para que eu conseguisse encontrar o emprego que tanto queria. Mas aliado a isso é importante também conhecer a cultura dos ingleses. Isso pode ajudá-lo a entendê-los melhor, estreitar os laços com seus colegas de trabalho e aumentar o seu círculo de amigos”, acredita.

Desafios da Língua Inglesa

Assim como Tathiana, desde que chegou em Londres há 11 anos, Odila Giunta também já fez vários cursos de inglês, mas deixou de estudar o idioma por um tempo. Recentemente, porém, ela precisou retornar aos livros, pois pretende cursar uma faculdade e terá que prestar exames de inglês para garantir a sua classificação à universidade.

Vasculhando o material didático que possuía, Odila teve uma surpresa: encontrou um material tão vasto que seria suficente para emprestar aos amigos e aos amigos dos amigos. Com a descoberta, surgiu a ideia de ir além dos estudos e criar um blog voltado às pessoas que precisam ou querem estudar inglês. Lá ela dá dicas e informações sobre cursos, tira dúvidas e convida os internautas a dividir o material disponível.

“A necessidade de voltar a estudar me mostrou que pode haver muita gente na mesma situação que eu, e seria interessante e ao mesmo tempo estimulante fazer uma troca de conhecimentos. Daí a ideia do blog ‘Desafios da Língua Inglesa’”, conta.

Hoje, Odila estuda para prestar o CAE e também dá aulas de inglês voluntariamente. Segundo ela, o mais importante para quem quer encarar os livros e dominar o idioma é ter disciplina, paciência, vontade de aprender e tempo de sobra para pesquisar sobre a língua na Internet.

“Costumo brincar com meus amigos e alunos dizendo que o primeiro verbo que uma pessoa tem que conhecer quando quer aprender inglês é “Googlar”, pois há muito material disponível na net. Meu blog é apenas uma ferramenta e um convite para quem quer começar ou recomeçar a estudar,” finaliza.
Se você quer saber mais sobre o blog, acesse:
http://desafiosdalinguainglesa.blogspot.com/


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