Um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira, William Bonner esteve em Londres, em novembro, para dar uma palestra no King’s College sobre o seu trabalho na Rede Globo. Bonner foi convidado ao encontro pelo Globo Universidade, área da TV Globo responsável pelo relacionamento com o meio acadêmico, e seguiu para a Inglaterra logo após dividir sua experiência com estudantes da Universidade de Coimbra, em Portugal, dentro do mesmo projeto da emissora.
À vontade e brincando com o público, Bonner apresentou à plateia do King’s College o seu livro “Jornal Nacional: Modo de Fazer”, deu exemplos de como são selecionadas as notícias que vão ao ar e respondeu a várias perguntas dos espectadores. A palestra, prevista para durar uma hora, se entendeu por duas. Chefiando o JN há onze anos, Bonner apresentou alguns slides e contou que a função do JN é a de “apresentar o que ocorre todos os dias no Brasil e no mundo com isenção, pluralidade, precisão e clareza”.
Segundo Bonner, o importante na hora de decidir o que será veiculado pelo JN depende da abrangência, ou seja, o que é de esfera pública terá mais destaque do que os assuntos de esfera privada. “Nós, jornalistas, temos critérios subjetivos, mas estamos sempre subordinados a critérios objetivos”, comentou. Ele também destacou uma característica que considera importante na profissão. “O trabalho do jornalista é ser um pouco espírito de porco mesmo”, afirmou, ao comentar as entrevistas feitas ao vivo nos estúdios do JN, durante as eleições presidenciais, submetendo os candidatos a perguntas mais duras e diretas.
Formatação do JN
Depois de escolhidas, ao meio-dia, as matérias que entrarão no JN, são decididos os seus formatos (só leitura de texto, leitura com imagens ou reportagem em que o jornalista é mandado ao local) e o tempo destinado a apresentar cada notícia. Para Bonner, fazer o JN é uma obrigação moral, um dever social, já que “o Jornal Nacional é a fonte principal de informação jornalística de uma grande parcela da população que não lê jornal. Muitas vezes a leitura é maçante, difícil. É uma briga desigual. Eu, por exemplo, tenho dificuldade para ler alguns textos em inglês, mas me forço”, contou Bonner.
Para ele e sua equipe, fazer com que o JN seja interessante e de fácil acesso a um número tão grande de pessoas é um desafio diário. Afinal, a população tem que entender as matérias e sentir prazer em assistir, “porque se a reportagem estiver chata, eles trocam de canal. E vou te falar a verdade, quando eles o fazem, eu sinto”, revelou.
A palestra dada por Bonner, praticamente uma aula de jornalismo, foi gravada para a internet e pode ser vista no website do King’s College no endereço: http://wwwcache1.kcl.ac.uk/ikings/index.php?id=385.