Gilberto Gil volta a brindar o público europeu com uma turnê que vai passar, em três semanas de novembro, por 11 cidades em oito países. Depois da Noruega, França, Bélgica e Luxemburgo, a caravana do Concerto de Cordas se apresenta em Londres no dia 19, no Royal Festival Hall, no Southbank Centre, dentro da programação do London Jazz Festival.
Ao lado do filho, Bem Gil, responsável pelo violão e percussão, e do violoncelista e maestro Jaques Morelenbaum, Gil vai apresentar o novo show, de caráter mais acústico, mas que não deixa de trazer na programação os grandes clássicos de um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira.
Entre tantos afazeres e às vésperas da gravação do primeiro DVD da filha, Preta Gil, no Rio de Janeiro, em outubro, o bom baiano, 67 anos e alma de menino, arrumou um tempinho na agenda para um bate-papo com a Real.
REAL - Gil, nessa turnê pela Europa você reencontra no palco o violoncelista e maestro Jaques Morelenbaum, com quem já tocou em 2005, na França e na Itália. O que o público pode esperar desse novo encontro?
Gilberto Gil - O mundo encantado da música é feito com o milagre do encontro dos criadores. Eu, que tenho dedicado uma vida a encontrar aqueles com quem possa compartilhar meu amor pela música, tive um dia o prazer de cruzar o caminho do Jaquinho, ele também a vida toda dedicada a esse encontro. Em várias ocasiões pudemos estar juntos e junto a outros, a fazer a música que queremos, que amamos. Agora vamos fazê-lo a três, eu, Jaquinho e Bem, meu filho que começa a sua busca do encontro musical. Será, por certo, com imenso prazer que nos encontramos para levar, a todos que vierem nos assistir, um pouco desse eterno milagre da canção.
REAL - Como foi a escolha do repertório para o Concerto de Cordas?
GG – Jaquinho trouxe sugestões, Bem outras tantas e as que eu mesmo queria incluir. Fomos fazendo uma seleção, vendo as que ficavam melhor pra tocar e assim foi, com muita naturalidade.
REAL - Mesmo sabendo que esse show tem características distintas, é natural que seus fãs também queiram ouvir seus clássicos. Há espaço na programação para um ‘revival’?
GG – Não só uma mas muitas revisitas a músicas das mais diversas épocas de minha carreira que ganharam agora, como esse novo formato de Concerto de Cordas, outra forma.
REAL - Você disse que seu filho, Bem Gil, “começa a sua busca do encontro musical”. Você vê algo em comum entre você, na época em que buscava esse encontro musical, e o Bem Gil?
GG – Temos muito em comum para além da musicalidade pois temos temperamento parecido, somos calmos e ponderados. Agora, o momento do mundo é outro e Bem tem sua própria personalidade e gostos. Eu espero que ele vá longe na sua carreira musical.
REAL – Filhos (Gil tem sete) de grandes estrelas do ‘show business’ normalmente acabam seguindo os passos dos pais famosos. Até que ponto você influenciou na escolha de seus filhos?
GG – Meus filhos que aderiram à carreira musical – Nara, Preta, Bem e agora José – o fizeram por escolhas próprias e em momentos distintos, apesar de que acho que ver uma casa sempre cheia de música e músicos certamente exerce, além de influência, um certo fascínio.
REAL - Gil, nessa turnê europeia serão oito países e 11 cidades em três semanas. Cada lugar certamente tem uma lembrança em sua carreira, mas Londres tem um significado especial, afinal, você morou aqui de 1969 a 1972, quando viveu o exílio. Que lembranças, boas e más, você guarda daqueles tempos?
GG – Como você disse, tenho lembranças boas e más do período em que vivemos em Londres, mas tendo a lembrar das coisas boas, o universo crescendo pra mim, o contato com o pop britânico, novas experiências.
REAL - O que mais te impressiona quando volta à cidade, levando-se em conta as lembranças da Londres daquela época?
GG - Houve um empobrecimento da população, como dizem os ingleses, os “nouveau poor”, mas Londres é uma cidade e tanto com muito a ser visto, suas galerias de arte, seus museus, seus restaurantes.
REAL - Tem algum lugar em especial que você não deixa de visitar quando vem a Londres?
GG - Muitas vezes a correria das turnês não nos deixa muito tempo livre para passeios, mas mesmo de se ver pela janela do carro ou do hotel, os parques ingleses merecem sempre ser (re)visitados. Como eu citei na letra de ‘Back in Bahia’, “... do verde também tão lindo dos gramados campos de lá. Ilha do Norte...”
REAL - Não apenas numa perspectiva musical, mas também política, você vivenciou momentos distintos de nossa história: de exilado político a Ministro da Cultura do governo Lula. A imagem do Brasil no exterior foi fortalecida neste governo, mas os problemas sociais, a violência e os escândalos de nossa classe política continuam nas manchetes. Como você vê esse Brasil 2009?
GG - Apesar dos pesares, vejo com otimismo e acho o Brasil hoje muito melhor do que nos últimos tempos.
REAL - Depois de ser vereador em Salvador e Ministro da Cultura, você ainda se vê ocupando algum cargo político no futuro?
GG - Não tenho planos para a vida na política, mas não descarto nada.
REAL - De volta ao mundo sonoro, ano que vem tem Copa do Mundo. Em 1998 e 2006 você gravou músicas especiais para as Copas da França (Balé da Bola) e Alemanha (Balé de Berlim), respectivamente. A seleção de Dunga te inspira uma canção?
GG - As seleções brasileiras quase sempre são inspiradoras, mas ainda não pensei nesse assunto.

Se a bola da seleção de Dunga ainda não o motivou a compor,
inspiração não vai faltar para Gil no:
Concerto de Cordas
Royal Festival Hall
Southbank Centre
Belvedere Road – London SE1 8XX
Quando: 19 de Novembro, às 19h30
Ingressos: De £10 a £37.50 pelo site www.southbankcentre.co.uk