Terça-Feira, 07 de Fevereiro de 2012







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Diva do cinema francês sobe o morro

Homenageada no Festival de Cinema do Rio, Jeanne Moreau foi conhecer o pessoal do Nós do Morro, no Vidigal

Luciano Vidigal e Cavi Borges, do Rio de Janeiro

A atriz francesa Jeanne Moreau foi ao Brasil no mês passado,onde recebeu uma homenagem no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, que exibiu dois documentários sobre sua vida e carreira. A grande dama do cinema francês também aproveitou a presença no festival para apresentar um dos seus mais recentes filmes, “Mais Tarde, Você Vai Entender”, do diretor israelense Amos Gitaï.

Ao longo dos mais de 60 anos de carreira, Jeanne Moureau, 81, trabalhou com grandes nomes do cinema mundial, como Antonioni, Godard, François Ozon, Jaques Rivet, Amos Gitaï e Cacá Diegues, entre outros de nacionalidades distintas. A atriz retornou ao Brasil após trinta anos, quando esteve por lá para filmar “Joanna Francesa”, de Cacá Diegues.

Durante sua estadia no Rio, ela visitou vários lugares, sempre ao lado de Cacá Diegues, mas um lugar em especial chamou bastante a atenção da atriz na sua passagem pela capital carioca: a visita à favela do Vidigal, para conhecer o grupo Nós do Morro. Durante sua visita, os colaboradores da Real, Cavi Borges e Luciano Vidigal, “enquadraram” a diva num beco do morro e bateram um papo sobre a carreira da atriz.

REAL -  Jeanne, qual a sua concepção de ser atriz?
Jeanne Moreau - É ser uma mangueira  que conduz a água  do diretor para regar as plantas da melhor forma possível.

REAL - Que personagem marcou a sua vida e carreira?
Jeanne Moreau-
A minha principal lembrança foi no papel de Catherine, ao lado dos dois rapazes (os atores Oskar Werner e Henri Serre) no hoje clássico “Jules et Jim”, filme de 1962, dirigido por François Truffaut. Ali eu iniciava a parceria com a Nouvelle Vague, movimento do cinema francês surgido no início dos anos 1960, e no qual me tornei uma das principais atrizes.

REAL - Que filme dos quais você trabalhou destacaria como o seu preferido?
Jeanne Moreau- O filme preferido é sempre o próximo. A gente tem que olhar para frente. “O cinema existirá para sempre”. É assim que eu trabalho com as pessoas e no trabalho recente com diretores como Amos Gitaï, que me devolveu uma energia magnífica e a oportunidade de interpretar personagens maravilhosos e diferentes.

REAL - Você prefere trabalhar em filmes de alto ou baixo orçamento?
Jeanne Moreau - Eu trabalho em grandes filmes para ganhar dinheiro, mas minha
paixão ainda são os pequenos filmes sobre casais e dramas familiares. Cito como exemplo um filme independente francês, “Welcome”, onde os problemas do país (França)são retratados no relacionamento do casal.

REAL - Qual a sua recomendação para os atores que estão começando a carreira?
Jeanne Moreau - Sejam claros e coerentes. Tenham calma e audácia, comecem cedo a trabalhar e não deixem de estudar os clássicos. São essas palavras que me classificam no ofício de atriz.

REAL - Qual foi o maior legado da sua carreira?
Jeanne Moreau - Foi cruzar com pessoas incríveis e ter novas experiências.

REAL - Você á uma atriz que atravessou gerações.O que acha do cinema atual?
Jeanne Moreau - Sou uma atriz que busca novos conhecimentos e destaco a importância de ser cinéfila e acompanhar as mudanças que o cinema vai sofrendo ao longo dos anos. Vim para o Brasil fazer o filme do Cacá por causa do meu interesse pelo Cinema Novo, volto agora por causa desse novo cinema brasileiro que está surgindo. Refiro-me ao filme “Cidade de Deus” e ao projeto “5 Vezes Favela,agora por nós mesmos”.

REAL - O que te chamou atenção no Brasil?
Jeanne Moreau - Estou hospedada na casa de uma pessoa que tem muitos livros sobre a história do Brasil e lendo esses livros descobri muitas coisas interessantes que não sabia. Aqui descobri muita coisa. Como a cachaça, por exemplo.


Ao final do bate-papo com a dupla, Jeanne Moreau foi saudada pelo Nós do Morro com um grupo de percussão do Morro do Vidigal, pode passear tranquila e conhecer o cotidiano da favela de perto.

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