Terça-Feira, 07 de Fevereiro de 2012







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Locadora, uma espécie em extinção
A pirataria e a facilidade de se baixar filmes na Internet estão acabando com o negócio que foi febre nos anos 80

Texto: Luciano Vidigal e Cavi Borges
Dezembro-09

As locadoras de vídeo surgiram na década de 80 e provocaram uma verdadeira revolução no mercado cinematográfico e no hábito das pessoas. Acostumadas anteriormente a assistir filmes somente nas salas de cinema, elas puderam também acompanhar suas produções preferidas (novas ou antigas) no sofá de suas casas, com grupos de amigos e comendo e bebendo o que bem quisessem e na hora que quisessem. Mordomias e praticidades que as salas de cinema não ofereciam.

Porém, de alguns anos para cá, as locadoras estão se tornando cada vez mais escassas e muitas delas estão fechando suas portas. No Brasil, a grande rede americana Blockbuster teve que se aliar à popular Lojas Americanas para não fechar.

“Porque isso está acontecendo?” é uma pergunta que muitos estão se fazendo. Os motivos são muitos: a facilidade de se baixar filmes pela Internet, o aumento dos DVDs piratas, os preços abusivos que as distribuidoras vendem seus filmes às locadoras e a concorrência com a tv a cabo, entre outros fatores.

Em alguns países as locadoras se tornaram virtuais e não possuem mais lojas “físicas”. As pessoas escolhem os filmes de casa pela internet e os recebem pelo correio ou, ainda, recebem um sinal do filme em seus computadores para baixarem legalmente o sinal, sem sequer ter que usar a mídia de DVD. É o caso do sistema de assinatura ‘Lovefilm’, popular na Inglaterra.

No Brasil, as locadoras que ainda sobrevivem estão procurando diferenciais e medidas para não fecharem suas portas. Venda de filmes, livros, cyber cafés, realização de eventos (lançamentos, festas, mostras) para segurarem sua antiga
clientela e atrair novos clientes que procuram consumir cultura de uma forma geral.

A locadora Cavideo é um bom exemplo disso. Localizada no Rio de Janeiro há 12 anos, é especializada em filmes de arte e hoje é referência entre os cinéfilos da capital carioca. Além de alugar filmes raros e diferenciados, organiza mostras, cineclubes, lançamento de filmes, revistas em quadrinhos e livros e shows com bandas alternativas. Também patrocina peças de teatro, filmes e eventos que ajudam a fortalecer sua marca para o seu público-alvo. O horário e sua localização também contribuem para atrair seu público. Mesmo assim, o movimento tem caído cerca de 30% por ano, mostrando um cenário negativo para esse tipo de negócio.

A nossa maior guerra, em termos de bilheteria cinematográfica e locações de filmes, ainda é lutar contra a forte epidemia da pirataria. A prova disso foi o bem-sucedido filme “Tropa de Elite”, ganhador do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, que antes de estrear nos cinemas, teve DVDs piratas do filme circulando entre a maioria dos camelódromos do Brasil. O filme foi sucesso de crítica e bilheteria, mas dizem as más línguas que pode ter sido um jogo de marketing.

Sinceramente não sabemos dizer se somos a favor ou contra a pirataria. Nos conscientizamos deste fato e nos questionamos quando percebemos nossos vizinhos da classe D se alimentando do acesso cultural pelo baixo preço dos produtos piratas. As novas tecnologias que vêm chegando com força total, provocando mais uma vez a mudança de hábito das pessoas. Cabe a todos tentarem entendê-las e se adaptarem a elas.

A dúvida é: com todos esses conflitos nossas locadoras irão acabar?

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