Sábado, 31 de Julho de 2010







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Cinema nacional em alta
Em depoimento à Real, a produtora Mariza Leão traça um panorama positivo do cinema brasileiro em 2009
Depoimento concedido no Rio de Janeiro a
Luciano Vidigal e Cavi Borges


A dupla responsável por trazer aos leitores da Real o panorama do que acontece de mais importante no cinema nacional, o diretor e ator Luciano Vidigal e o produtor de cinema, Cavi Borges, coletaram no mês passado o depoimento de uma das produtoras mais importantes e ativas do cenário brasileiro, Mariza Leão. Empenhada na formulação de políticas para o cinema nacional, Mariza foi a primeira diretora-presidente da distribuidora RioFilme, em 1992, e junto com o marido, o cineasta Sérgio Rezende, fundou a Morena Filmes, em 1975.

Apontando os diversos lançamentos do cinema tupiniquim em 2009, Mariza projeta um ano de sucesso para o setor no Brasil, confirmando, através de números, o aumento do interesse do público brasileiro pelas produções nacionais.

Confira abaixo o depoimento exclusivo dado por Mariza Leão à Real, no Rio de Janeiro:
Se 2008 foi um ano difícil para os filmes nacionais, 2009 já nos dá motivos para comemorar.
E não apenas o cinema brasileiro começa o ano com o pé direito.
No Brasil, o mercado como um todo (soma dos filmes nacionais e estrangeiros) apresenta um crescimento em torno de 30%. Ou seja, a crise econômica não abalou a frequência do público ao cinema, ao contrário. E, pasmem vocês, também nos Estados Unidos o mercado das salas de cinema cresceu! Muito se discute se a diminuição de público não
se refere apenas às oscilações da economia como um todo, mas diz respeito direto à qualidade dos filmes ofertados. E, neste sentido, o cinema brasileiro abre neste 2009 um leque de filmes muito promissor.
Vamos lá: o recorde de mais de 6 milhões de ingressos de “Se Eu Fosse Você 2”, de Daniel Filho, poderia ser um fenômeno isolado, como “Meu nome não Johnny”, de Mauro Lima, foi no ano passado por ser o único filme nacional a ultrapassar a barreira de 2 milhões de ingressos. Mas o jogo esquentou com a estreia de “O Divã”, de José Alvarenga, cujas previsões nos levam a calcular uma soma total de ingressos maior do que 1,8 milhões. Em seguida, com “A Mulher Invisível”, de Cláudio Torres, com Selton Mello e Luana Piovani, com quase 2 milhões e uma boa chance de chegar aos 3
milhões. Em agosto, o jogo ainda esquenta mais com a previsão da estreia de “Os Normais 2”, de José Alvarenga. Assim como “Se eu fosse você 2”, “Os Normais 2” aposta na continuação do filme lançado em 2003 e que atingiu 3 milhões de espectadores.
Mas nem só de comédias vive o cinema brasileiro. “Salve Geral”, de Sérgio Rezende, com Andréa Beltrão, retoma os episódios da ação do PCC na cidade de São Paulo, em 2006, num thriller emocionante.
“Tempos de Paz”, de Daniel Filho, com Dan Stulbach e Tony Ramos, é uma adaptação da peça de Bosco Brasil, que alcançou enorme sucesso no teatro.
“Jean Charles”, de Henrique Goldman, com Selton Mello, retrata a recente história do brasileiro assassinado pela polícia londrina.
“Besouro”, de João Daniel Thikomiroff, superprodução que narra a história do mito da capoeira no Recôncavo Baiano.
E ainda cabe mais uma comédia, “Família Vende Tudo”, com Luana Piovani e Caco Ciocler, direção de Alain Fresnot. E “Last but not Least, High School”, musical de César Rodrigues, que vem buscar o público adolescente, o maior frequentador das salas de cinema. Paramos por aí? Não. Os documentários abriram o ano muito bem, com a estréia de “Palavra (En)cantada”, de Helena Solberg e Marcio Debellian. E agora ainda contarão com o reforço de “Simonal, Ninguém Sabe o Duro que Dei”, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, “Garapa”, de José Padilha, “Só Dez por Cento é Mentira”, de Pedro Cezar e “Moscou”, de Eduardo Coutinho, dentre outros.
Mais do que seus resultados numéricos, os filmes acima contribuirão de forma decisiva para aproximar o público brasileiro de nossa cinematografia. Este conjunto de filmes nos permite avaliar que 2009 representará um aumento do “market share” do filme brasileiro no mercado. E isso significa muito, não apenas para nós que fazemos os filmes, mas também para a sociedade brasileira, que demonstra valorizar a produção de obras talentosas e competentes, capazes de mobilizar públicos de diferentes extratos sociais.
Creio que performances artísticas e/ou comerciais como as que se apresentam neste ano contribuirão para que se amplie o encontro de nossa cinematografia com o público, num processo vigoroso e afetuoso de valorização da sociedade brasileira, de nosso país. Por esta razão, vamos brindar a um ano que promete ser glorioso
.”

Vida dedicada à sétima arte
Atuando na área cinematográfica desde meados dos anos 70, Mariza Leão começou sua carreira como diretora de curtas-metragens. O primeiro filme foi “Insolência”, realizado em 1974. No ano seguinte, junto com seu futuro parceiro em longas,
Sérgio Rezende, dirigiu o segundo curta, “Leila para Sempre Diniz”. Mariza Leão e o marido, o cineasta Sérgio Rezende, criaram a Morena Filmes em 1975 e foi através dela que foram realizados os curtas “Palmas para Jesus”(1976), “O Saxofonista” (1977) e “Circos e Sonhos” (1978).

Em 1979, Mariza assinou a primeira produção em longas-metragens com o documentário “Até a Última Gota”. Nos anos 80, intensificou sua atuação como produtora, participando de filmes importantes como “O Sonho Não Acabou” (1982), de Sérgio Rezende, “Nunca Fomos Tão Felizes” (1984), de Murilo Salles, e “Vento Sul” (1986), de José Frazão. A trajetória de Mariza e Sérgio ganhou destaque no cinema nacional com o “O Homem da Capa Preta”, Melhor Filme no Festival de Gramado de 1986. Nos anos 90, a dupla realizou uma superprodução, “A Guerra de Canudos”, filme ambicioso
sobre Antônio Conselheiro e seus seguidores. Em 1992, Mariza foi presidente da RioFilme, importante produtora e distribuidora de filmes brasileiros.

As últimas produções de Mariza Leão são “Quase Nada” (2004) e “Onde Anda Você” (2005), ambos de Sérgio Rezende, e o grande sucesso de público, “Meu Nome Não é Johnny”, maior bilheteria nacional em 2008, dirigido por Mauro Lima.
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