A dupla responsável por
trazer aos leitores da Real
o panorama do que acontece
de mais importante no
cinema nacional, o diretor e ator
Luciano Vidigal e o produtor de
cinema, Cavi Borges, coletaram
no mês passado o depoimento
de uma das produtoras mais
importantes e ativas do cenário
brasileiro, Mariza Leão. Empenhada
na formulação de políticas
para o cinema nacional, Mariza foi
a primeira diretora-presidente da
distribuidora RioFilme, em 1992,
e junto com o marido, o cineasta
Sérgio Rezende, fundou a Morena
Filmes, em 1975.
Apontando os diversos lançamentos
do cinema tupiniquim em
2009, Mariza projeta um ano de
sucesso para o setor no Brasil,
confirmando, através de números,
o aumento do interesse do público
brasileiro pelas produções nacionais.
Confira abaixo o depoimento
exclusivo dado por Mariza Leão à
Real, no Rio de Janeiro:
“
Se 2008 foi um ano difícil para os filmes nacionais, 2009 já
nos dá motivos para comemorar.
E não apenas o cinema brasileiro
começa o ano com o pé direito.
No Brasil, o mercado como um
todo (soma dos filmes nacionais
e estrangeiros) apresenta um
crescimento em torno de 30%.
Ou seja, a crise econômica não
abalou a frequência do público ao
cinema, ao contrário. E, pasmem
vocês, também nos Estados
Unidos o mercado das salas de
cinema cresceu! Muito se discute
se a diminuição de público não
se refere apenas às oscilações
da economia como um todo, mas
diz respeito direto à qualidade
dos filmes ofertados. E, neste
sentido, o cinema brasileiro abre
neste 2009 um leque de filmes
muito promissor.
Vamos lá: o recorde de mais
de 6 milhões de ingressos de “Se
Eu Fosse Você 2”, de Daniel Filho,
poderia ser um fenômeno isolado,
como “Meu nome não Johnny”,
de Mauro Lima, foi no ano passado
por ser o único filme nacional a ultrapassar a barreira de 2 milhões
de ingressos. Mas o jogo esquentou
com a estreia de “O Divã”, de
José Alvarenga, cujas previsões
nos levam a calcular uma soma
total de ingressos maior do que
1,8 milhões. Em seguida, com
“A Mulher Invisível”, de Cláudio
Torres, com Selton Mello e Luana
Piovani, com quase 2 milhões e
uma boa chance de chegar aos 3
milhões. Em agosto, o jogo ainda
esquenta mais com a previsão
da estreia de “Os Normais 2”, de
José Alvarenga. Assim como “Se
eu fosse você 2”, “Os Normais 2”
aposta na continuação do filme
lançado em 2003 e que atingiu 3
milhões de espectadores.
Mas nem só de comédias vive
o cinema brasileiro. “Salve Geral”,
de Sérgio Rezende, com Andréa
Beltrão, retoma os episódios da
ação do PCC na cidade de São
Paulo, em 2006, num thriller emocionante.
“Tempos de Paz”, de
Daniel Filho, com Dan Stulbach e
Tony Ramos, é uma adaptação da
peça de Bosco Brasil, que alcançou enorme sucesso no teatro.
“Jean Charles”, de Henrique Goldman,
com Selton Mello, retrata
a recente história do brasileiro
assassinado pela polícia londrina.
“Besouro”, de João Daniel Thikomiroff,
superprodução que narra
a história do mito da capoeira no
Recôncavo Baiano.
E ainda cabe mais uma comédia,
“Família Vende Tudo”, com
Luana Piovani e Caco Ciocler,
direção de Alain Fresnot. E “Last
but not Least, High School”, musical
de César Rodrigues, que vem
buscar o público adolescente, o
maior frequentador das salas de
cinema. Paramos por aí? Não. Os
documentários abriram o ano muito
bem, com a estréia de “Palavra (En)cantada”, de Helena Solberg
e Marcio Debellian. E agora ainda
contarão com o reforço de “Simonal,
Ninguém Sabe o Duro que
Dei”, de Cláudio Manoel, Micael
Langer e Calvito Leal, “Garapa”,
de José Padilha, “Só Dez por
Cento é Mentira”, de Pedro Cezar
e “Moscou”, de Eduardo Coutinho,
dentre outros.
Mais do que seus resultados
numéricos, os filmes acima contribuirão
de forma decisiva para
aproximar o público brasileiro de
nossa cinematografia. Este conjunto
de filmes nos permite avaliar que
2009 representará um aumento do
“market share” do filme brasileiro
no mercado. E isso significa muito,
não apenas para nós que fazemos
os filmes, mas também para a
sociedade brasileira, que demonstra
valorizar a produção de obras
talentosas e competentes, capazes
de mobilizar públicos de diferentes
extratos sociais.
Creio que performances artísticas
e/ou comerciais como as que
se apresentam neste ano contribuirão
para que se amplie o encontro
de nossa cinematografia com o
público, num processo vigoroso e
afetuoso de valorização da sociedade
brasileira, de nosso país. Por
esta razão, vamos brindar a um
ano que promete ser glorioso.”
Vida dedicada à sétima arte
Atuando na área cinematográfica desde meados
dos anos 70, Mariza Leão começou sua carreira
como diretora de curtas-metragens. O primeiro
filme foi “Insolência”, realizado em 1974. No ano
seguinte, junto com seu futuro parceiro em longas,
Sérgio Rezende, dirigiu o segundo curta, “Leila
para Sempre Diniz”. Mariza Leão e o marido, o
cineasta Sérgio Rezende, criaram a Morena Filmes
em 1975 e foi através dela que foram realizados os
curtas “Palmas para Jesus”(1976), “O Saxofonista”
(1977) e “Circos e Sonhos” (1978).
Em 1979, Mariza assinou a primeira produção
em longas-metragens com o documentário
“Até a Última Gota”. Nos anos 80, intensificou
sua atuação como produtora, participando de
filmes importantes como “O Sonho Não Acabou”
(1982), de Sérgio Rezende, “Nunca Fomos
Tão Felizes” (1984), de Murilo Salles, e “Vento
Sul” (1986), de José Frazão.
A trajetória de Mariza e Sérgio ganhou destaque
no cinema nacional com o “O Homem da Capa
Preta”, Melhor Filme no Festival de Gramado de
1986. Nos anos 90, a dupla realizou uma superprodução,
“A Guerra de Canudos”, filme ambicioso
sobre Antônio Conselheiro e seus seguidores.
Em 1992, Mariza foi presidente da RioFilme,
importante produtora e distribuidora de filmes brasileiros.
As últimas produções de Mariza Leão são
“Quase Nada” (2004) e “Onde Anda Você” (2005),
ambos de Sérgio Rezende, e o grande sucesso de
público, “Meu Nome Não é Johnny”, maior bilheteria
nacional em 2008, dirigido por Mauro Lima.