A Tropicália foi tema de debate na programação do Festival Brazil, em julho, no Southbank Centre. Num papo sobre o que foi o movimento cultural do final dos anos 60, Paula Consenza apresentou alguns trechos do que será seu filme, “Tropicália”, a respeito do movimento que influenciou a cultura brasileira e percorreu o mundo.
Junto a ela esteve o músico, compositor e professor de literatura brasileira, José Miguel Wisnik. “Ao contrário do que muitos pensam, a Tropicália não foi um movimento apenas musical, e não existiu só num contexto político. Foi um movimento cultural que tinha intenção de provocar a juventude em todas as suas expressões artísticas. O nome do movimento veio de uma instalação de Hélio Oiticica, onde a pessoa passava por um caminho até chegar numa televisão. Depois, Caetano fez a música de mesmo nome e o movimento começou a se criar”, conta Wisnik.
Atingindo todas as formas culturais – a música de Caetano e Gil, o cinema de Glauber Rocha, as artes plásticas de Hélio Oiticia e Lygia Clark, a literatura de Antonio Cicero – a Tropicália atravessou fronteiras,
permitindo que o pop entrasse no Brasil e que a cultura local viajasse o mundo.
Até hoje lembrado e estudado, o movimento que marcou os anos 60 com o exílio de Gilberto Gil e Caetano Veloso em Londres, está sendo revisitado por meio da
recuperação de imagens de arquivo e novas entrevistas para o filme de Paula Consenza, com estreia prevista em 2011.