Como milhares de brasileiros, a capixaba Patrícia Salume decidiu que vir para Londres era a melhor maneira de acelerar o aprendizado do inglês. Mas hoje, passados dez anos, ela não é apenas mais uma brasileira em Londres. Patrícia é exemplo de que falar bem o inglês e ter um emprego fixo não é o suficiente quando se deseja crescer profissionalmente e estar integrado à comunidade.
No ano passado, Patrícia foi escolhida entre dezenas de outros candidatos para cursar, de graça, o Executive MBA na Universidade de Henley (que dura dois anos e custa £40 mil). “Como sabia que era bem caro, comecei a procurar na internet informação sobre bolsas. Achei uma bolsa pela Henley e outra pela City University, fui chamada pra entrevista nas duas, mas escolhi Henley por causa da ótima reputação e do foco no desenvolvimento dos alunos,” conta. “Para fazer a inscrição, tive que mandar um formulário, mais o diploma brasileiro convertido e traduzido, além de uma redação falando da minha experiência de vida, como eu me beneficiaria com o curso e o que eu traria para o curso.”
Patrícia acredita que o trabalho que vem desenvolvendo por três anos na Learning Trust, uma empresa sem fins lucrativos em Hackney, tenha a ajudado a ser escolhida. Seu trabalho é fazer com que as creches e escolinhas de Hackney, que abrigam crianças de 0 a 5 anos, recebam o dinheiro a que tem direito e o usem de forma apropriada. Ela também já trabalhou numa house association, ajudando moradores desempregados a melhorar suas habilidades para conquistar empregos melhores.
Aos 32 anos, Patrícia não tem planos de voltar ao Brasil depois que concluir o Executive MBA, no final de 2011, mas gostaria de trabalhar em algum projeto envolvendo o país futuramente: “Eu quero ter mais contato em termos profissionais com o Brasil, mas ainda não sei exatamente como. Seria interessante trabalhar nas Olimpíadas ou com empresas brasileiras atuando em mercados internacionais.”
As dificuldades do início
Terminada a faculdade de Publicidade e Propaganda, Patrícia veio de Vitória para Londres em 2000 sem a intenção de criar raízes. “Vim para estudar inglês, mas acabei gostando e ficando. No início, eu achava muito frustrante não conseguir me comunicar, expressar minhas ideias, por isso aprendi a língua o mais rápido possível. Hoje ainda tenho alguns problemas, principalmente para escrever trabalhos e fazer apresentações no MBA, pois a linguagem usada é mais técnica e especializada.”
Depois de dois anos na função de au pair, Patrícia teve oportunidade de ir trabalhar para a The Body Shop, in Brisbane. “A Austrália é um país muito bonito, mas muito isolado, e não tem o multiculturalismo da Inglaterra. Eu me sentia muito isolada quando morava lá. Era até difícil telefonar para as pessoas no Brasil ou aqui na Inglaterra, por causa da diferença de fuso horário,” conta.
De volta ao Reino Unido, deu-se conta de que o comércio, ou publicidade e propaganda, não eram áreas que ela gostaria de continuar atuando. “Eu prefiro trabalhar para empresas sem fins lucrativos porque assim trabalho com áreas que eu me identifico e vejo os resultados do meu trabalho na vida das pessoas, sinto motivação pra trabalhar.”
Patrícia diz que o MBA de Henley está valendo a pena, apesar de ser bastante cansativo, aliado ao dia-a-dia de trabalho “Você realmente tem que abrir mão de muita coisa pra conseguir manter o ritmo de estudos. Mas tem momentos divertidos, como a nossa viagem de estudos pra China, em abril, parte da disciplina Global Business Environment. Nós ficamos em Beijing e também viajamos para cidades vizinhas, durou oito dias. Pudemos ter uma ideia de como os negócios são feitos por lá, e assim entender melhor a influência que as diferenças culturais têm sobre os negócios internacionais.”