Sexta-Feira, 18 de Maio de 2012







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Mulheres em campo
A Real acompanhou um grupo de amigas ao jogo Brasil x Escócia
Texto e fotos: Carine Vargas
Abril 2011

Como diz Samuel Rosa, vocalista do Skank, "quem não sonhou em ser um jogador de futebol?" Este é realmente um sonho de muitos dos adolescentes brasileiros. Quando pequenos, treinam, tentam entrar nas escolinhas de base e vivem jogando peladas até com latinhas de refrigerante amassadas. Conforme o sonho vai ficando para trás, eles se tornam torcedores ainda mais fanáticos, cobrando com propriedade o bom futebol de cada jogador do seu time.
E as mulheres? É fato que poucas sonham em ser jogadoras de futebol. E o que as leva ao estádio são motivos um pouco mais divertidos do que os dos homens. A Real acompanhou cinco mulheres no último jogo da seleção em Londres, no dia 27 de março, e traz aos leitores uma mostra do que é assistir a uma partida de futebol sob a ótica feminina.

Antes da peleja

O encontro é em um pub perto do Emirates Stadium. Ali, elas se reúnem com os amigos e pedem algumas bebidas. Conversam muito e fazem uma integração bem amigável com os torcedores adversários. Os assuntos são diversos, só não se fala sobre a tática do time e a equipe escalada para a partida. Na verdade, de vez em quando sai uma pergunta assim:
"Será que o Pato vai jogar?", pergunta uma, sem saber que o atacante do Milan já havia sido cortado dias antes da seleção por contusão.
"Não sei, mas o Neymar vai", retruca outra.

No caminho para o estádio, elas tiram fotos entre elas e com os escoceses, cantam e vivem momentos de pura diversão. Quando perguntadas sobre porque estavam indo ao jogo, Aline Mazzochi, 26 anos, coordenadora de contas do Yahoo!, responde que é um momento para se divertir com as amigas e para torcer pela seleção. "É como uma folia de Carnaval", acrescenta. Giulia de Césaro, 19 anos, estudante, diz que é pelo orgulho de ser brasileira e poder assistir a um jogo fora de casa. Já a também estudante Jacqueline Glat, 24 anos, foi ao jogo para reencontrar as amigas e considera este um ótimo programa de domingo.

Durante a partida

Nos 92 minutos que a bola rolou no campo do Emirates Stadium, quem mais gritou foram as mulheres brasileiras. Elas torceram o tempo todo. Era o grito feminino da camisa amarela canário contra o grito masculino dos kilts escoceses. Poucos foram os elogios aos jogadores que consideram bonitos. A torcida feminina gritava mesmo era para impulsionar a amarelinha. Aline foi com certeza a torcedora mais fanática da partida, sem parar de gritar um minuto: "Cruza! Cruza! Cruza! Vai lá, Brasil! Agora, chuta! Brasil!"

As mulheres estavam contentes, pois de modo geral achavam que o Brasil tinha mais posse de bola e mais chances de gol. "O Brasil está atacando bastante, o jogo está praticamente só de um lado. Tô gostando", comenta a estudante Isabela Boessio, 19 anos.

Obviamente, o intervalo foi o tempo para comprar mais bebidas, comer e tentar usar o charme feminino para levar o copo para as cadeiras. Mas a tentativa não deu certo, a segurança do Arsenal estava rigorosa. De fato, os seguranças estavam atentos, vigiando e tentando reorganizar as pessoas nas fileiras ao lados das escadas. Jacqueline comenta que o jogo é muito organizado em Londres, mas mesmo assim é possível se divertir: " O bom é que as torcidas ficam juntas, não brigam;" Já Bruna Requião, 35 anos, garçonete, reclama: "Nada melhor que assistir um jogo de perto com um copinho de cerveja na mão, mas fazer o que?"

Sobre tática de jogo, regras e posições dos jogadores, nenhum grande comentário. As mulheres são mais práticas: querem ver gol e o resultado de 2 a 0 para o Brasil foi ótimo. "Não sei se jogaram tão bem, mas sei que o resultado foi bom", analisa Bruna. Quanto ao técnico, a percepção é direta e objetiva. Segundo Jacqueline, está muito cedo para saber: "Não posso dizer se o Mano é bom técnico agora, vamos saber mesmo quando for uma grande competição. Isto foi apenas um amistoso", decreta.

Quanto ao galã do time, durante a partida, Jacqueline recebia torpedo das amigas que assistiam pela televisão dizendo que a seleção escocesa tinha jogadores lindos. Já na seleção canarinho, a escolha foi unânime: o goleiro Júlio César. E o melhor jogador? Giulia diz que Neymar foi a estrela, pois marcou os dois gols. Aline e Jacqueline elogiaram o futebol de Ramires.

Pós-jogo

As meninas disseram que International Friendly, como é chamada a partida em inglês, se encaixou perfeitamente no espírito do amistoso. Não tem como negar que um ambiente sem brigas e com muita conversa é melhor para o universo feminino. Sendo assim, este foi um jogo perfeito para elas. "Foi uma tarde ótima. Gosto muito de futebol, mas foi bom pelo social, pela alegria e pelos homens. Como é bom ser feliz!", diz Aline.
E foi depois do jogo que pôde-se perceber o quanto os adversários são amigáveis. Mesmo fiéis torcedores, os escoceses não perderam o humor com a derrota. Na saída do estádio sambavam, dançavam e pediram para as brasileiras que tirassem fotos com eles. E elas tiraram muitas, uma atrás da outra, durante quase uma hora após a partida.
Depois da sessão de fotos e de samba, o destino final foi outro pub na região central de Londres. E lá, com uma banda escocesa tocando, as meninas se divertiam falando da vitória para os adversários e isso só gerava ainda mais empatia e fotos. Agora estavam brasileiras, escoceses e tantas outras nacionalidades cantando e dançando. Não parecia que havia vencedores e derrotados.
Pode-se dizer que com elas o futebol é realmente um bom programa. Não há briga, nem desordem. E, sob esta ótica, mulher + futebol forma uma boa combinação. Depois de uma tarde acompanhando as mulheres em uma partida de futebol, é possível resumir esta matéria em poucas palavras: Na verdade, "girls just want to have fun".

 


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