Saindo de Bora Bora, deixamos a Polinésia francesa em direção a Aitutaki, um atol nas Ilhas Cook, que também fica na Polinésia. Depois de quatro dias de viagem chegamos na pequena ilha de Aitutaki, onde a entrada é um canal de apenas dois metros de profundidade feito pelo homem. A quilha do nosso barco tem 1,80m , por isso tivemos que esperar a maré cheia para entrar. Parecia quase impossível passar no canal, onde só se via corais.
O GPS do barco nos apontou o lugar errado e quase entramos direto na bancada, até que veio um barco local nos informando que o canal era em outro lugar. É o que sempre dizem: não confie 100% no GPS para navegação! Por causa de uma falha poderíamos ter encalhado feio numa bancada. Diz todo capitão que o instinto sempre chega antes e teríamos retornado antes de bater, mas essa chegou perto!
Depois de uma rápida conversa com os locais do outro barco achamos que nossa quilha era grande para ficar naquele lugar tão raso e decidimos seguir viagem em direção a Tonga. Fomos com uma sensação de desânimo, pois sabíamos que a chegada seria adiada por mais quatro dias! Mas depois de dois dias de viagem veio a notícia boa: faríamos uma parada em Niue, uma pequena ilha no caminho.
Lugar especial

Niue é uma ilha independente, congregada à Nova Zelândia. Como todas as ilhas do Pacífico, existe algo especial que diferencia cada uma delas. Eu arrisco dizer que lá foi o lugar mais especial da viagem. Existem poucas pessoas em Niue, sendo que 90% da população migrou para a Nova Zelândia e outros países. A paz é sentida na vila, onde dizem não existir crime!
As pessoas são mais modernas por terem a influência neozeolandesa, mas ao mesmo tempo vivem no estilo rústico de vida de ilha, onde não existe nenhum caixa eletrônico! Se você não tem dinheiro em nota pra trocar, só poderá comer nos poucos lugares que aceitam cartão de crédito. Existem muitas praias pitorescas com cavernas e águas cristalinas. As baleias vivem ao redor da ilha boa parte do ano e são um atrativo, pois você pode nadar ao lado delas. Como não queríamos pagar pelo passeio, esperamos elas aparecerem para ir de bote e pular na água, mas não tivemos essa sorte.
Mais uma vez as pessoas nos receberam muito bem. Levaram-nos para conhecer suas casas, nos deram carona para os bares e até pagaram a cerveja! Passamos o final de semana e, recarregados de boa energia, partimos para a rápida travessia de dois dias até Vava'u, localizado no grande arquipélago de Tonga.
Já estive lá duas vezes e é sempre bom voltar. Vava'u é um porto de parada bastante usado pelos velejadores, principalmente vindos da Nova Zelândia. O local tem mais estrutura para receber barcos, como bóias ou poitas providas de diferentes restaurantes. Um lugar onde o turismo é mais desenvolvido, com festas, bares e um número maior de pessoas falando inglês, o que foi um conforto para nós, que passamos tanto tempo nos comunicando por gestos e olhares, principalmente na Polinésia francesa.
Eu e meu tio, Cláudio, alugamos um barquinho de madeira com um motor potente de 25hp para desbravar as várias ilhas que ficam ao redor de Vava'u. São bancos de areia branca que se estendem por centenas de metros e deixam a água da cor turquesa. Visitamos uma caverna com o próprio barco. Paramos em uma praia com um hotel vazio, só com o dono. Ali relaxamos, tomamos uma cerveja e comemos fish and chips, muito diferente dos que se encontram em Londres. Peixe fresco e, como não tem batata na ilha, eles improvisam com fruta pão cortada bem fininha e bem frita. Foi uma novidade.
Ficamos em Vava'u uma semana e dali partimos para onde seria a última parada de nossa longa viagem antes de chegar na Austrália: Efati, em Vanuatu, um arquipélago na Melanésia quase selvagem, onde o canibalismo ainda era praticado até pouco tempo atrás. Você saberá deste último capítulo na próxima edição. Grande abraço a todos.