Em mais uma perna da nossa viagem a bordo do veleiro Valhalla, do Caribe até a Austrália, deixamos Esmeralda, na costa do Equador, rumo à ilha de San Cristóbal, em Galápagos. O famoso arquipélago também pertence ao Equador e é composto por 13 ilhas, mas só com dois portos de entrada. Por ser uma reserva natural, os barcos só podem visitar outras baías com permissão especial e um guia a bordo.
Ancoramos na Baía Naufrágio no final de maio, onde depois de uma longa conversa com as autoridades locais, conseguimos convencê-los a não nos cobrar a taxa do parque nacional, que é de US$ 100 por pessoa! Alegamos que estávamos trabalhando e não a passeio e que a parada fora forçada por problemas no motor. Nos permitiram ficar lá por apenas dois dias e meio.
Em terra nos impressionamos com os lobos marinhos passeando livremente pelas ruas e lotando as praias em dia de sol, como se fossem parte da população. Depois de dias agradáveis saímos em direção às Marquesas, na travessia mais longa da viagem. São 3 mil milhas náuticas sem possibilidade de parada, 22 dias de céu e mar. O barco só tem capacidade para 500 litros de água e é preciso racionar o uso. Lavamos a louça com água do mar e tomamos banho a cada três dias. Consumimos verduras e legumes frescos só na primeira semana, por estragarem rapidamente. Depois comemos enlatados, arroz, pasta e ovos.
Numa travessia longa, o peixe é parte importante na alimentação. No segundo dia pegamos dois peixes grandes quase na mesma hora, em duas linhas diferentes e os anzóis e iscas '"profissionais e especiais para travessias" estouraram. Sem equipamento, aproveitamos um gancho e, limando a ponta, improvisamos um anzol. Com um rótulo de Coca-Cola, embalagens plásticas, uma porca de parafuso e fita adesiva fizemos uma isca artificial (tipo lula) que funcionou muito bem!
Terra à vista!
Depois de tantos dias no mar finalmente chegamos em Hiva Oa, nas Ilhas Marquesas. Ansiosos para tomar uma cerveja e comer algo diferente, fomos ao único restaurante aberto. Com poucas lojas comerciais, a maioria das pessoas na ilha vive de agricultura de subsistência. Ao redor, montanhas de picos altos, que dão a impressão de moldura de um quadro em vários tons, do verde ao amarelo.
Hiva Oa faz parte da Polinésia Francesa, composta pelas Marquesas, Tahiti, Bora Bora, Ilhas Gambier, Tuamotus e muitas outras, cobrindo a maior parte do Pacífico, numa área do tamanho da Europa. As Marquesas são as ilhas mais novas, formadas através de atividade vulcânica, com picos altos e águas profundas perto da costa, corais apenas em sua orla.
Depois de três dias em Hiva Oa zarpamos em direção a Rangiroa, um dos atóis em Tuamotus, na direção do Tahiti. A nossa jornada rumo à Austrália continua na próxima edição. Um abraço e paz a todos.
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