Sacudida por uma onda de violência que tomou conta de Londres e se alastrou por várias cidades do país em agosto, a Inglaterra contabilizava mais de 1.600 prisões até o dia 13 de agosto, segundo dados da Scotland Yard. Somente na capital inglesa, foco maior dos distúrbios, mais de 1.100 pessoas foram presas, das quais quase 700 foram processadas por destruição do patrimônio público, incêndios e saques de lojas comerciais.
O terror se espalhou pelo país após a morte de Mark Duggan numa operação policial, no dia 4 de agosto, em Tottenham Hale, no norte de Londres. Apesar da versão da polícia de que Duggan havia atirado contra os oficiais, uma comissão de investigação independente da polícia constatou que a vítima não disparou a arma que portava.
Dois dias depois, o que seria um protesto pacífico pela morte de Duggan terminou com várias lojas comerciais queimadas e saqueadas em Tottenham Hale. Diante da inoperância da polícia, que praticamente assistiu aos ataques, o movimento ganhou contornos de revolta popular em vários bairros da cidade. Insufladas e se organizando através das redes sociais da internet, gangues formadas em sua maioria por adolescentes espalharam o terror em Hackney, Ealing, Wood Green,
Clapham e vários outros pontos de Londres.
A violência ganhou reflexos no interior do país e provocou a morte de três jovens de origem muçulmana em Birmingham, atropelados quando tentavam defender as lojas dos saques. Três pessoas foram presas pela polícia acusadas pelo triplo homicídio.Em Londres, duas pessoas morreram. Um baleado, no primeiro dia de distúrbios, e outro, de 68 anos, depois de ser agredido por tentar apagar um incêndio provocado nos distúrbios em Ealing, no oeste da capital.
Depois de quatro dias de destruição e terror pelo país, finalmente o governo resolveu agir, aumentando o efetivo policial nas ruas e autorizando ações mais enérgicas da polícia. Tarde demais. À essa altura, fora o prejuízo e as cicatrizes deixadas na sociedade, a Inglaterra, país dos Jogos-2012, já perdera o encanto olímpico.
O repórter fotográfico Rafael Bastos presenciou um dos dias mais violentos dos ataques em Londres, em Hackney (fotos), leste da cidade, quando centenas de manifestantes tomaram as ruas, saquearam e incendiaram lojas comerciais.
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