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Brasucas de fibra
Após 13 meses de preparação, brasileiras quebram recordes em travessia do Canal da Mancha
Ricardo Estevão
Julho 2011

As nadadoras Giuliana Braga, Priscila Santos, Luciana Akissue e Marta Izo, a Martinha, venceram o desafio de atravessar o Canal da Mancha em revezamento, ida e volta. No final de junho, elas nadaram por 18h42min (revezando-se a cada hora), partindo de Dover, na Inglaterra, e indo até Calais, na França, para depois retornar a Dover, fechando com sucesso o projeto "Travessia Balkis – Canal da Mancha a 4" . "Estou emocionada e feliz, não era um sonho só meu, mas de todas as meninas", declarou Luciana. "Nadei pensando nisso o tempo todo."

Além de obter êxito na prova que apenas 10% dos atletas conseguem concluir, a equipe quebrou dois recordes: revezamento feminino no percurso Inglaterra-França no tempo de 8h22min (o recorde anterior, pertencente a um grupo do Japão, era de 9h02min) e revezamento feminino Inglaterra-França e França-Inglaterra (o último recorde foi de 19h07min). "O recorde é pequeno, depois de tudo o que já aconteceu com a gente", disse Priscila, destacando a importância da preparação. "Foi um ano e meio de dor, luta, paciência..."

A prova teve início às 10h do dia 27 passado, com a atleta Giu, que nadou a partir de Shakespeare Beach, conforme as regras da competição organizada e monitorada pela CSA (Channel Swimming Association), que designou os fiscais Keith Oiller e Steve Franks para supervisionar o desafio brasileiro. "Tive vontade de chorar, mas precisava nadar", revelou Giu. "Ali não tinha água gelada, não tinha nada, só a vontade de começar forte e ir embora."

Conhecido pelas dificuldades causadas principalmente pelo mau tempo, o Canal da Mancha surpreendeu o grupo: sol, calor, nenhum vento, mar tranquilo - tudo bem diferente das condições climáticas que as nadadoras enfrentaram durante a última semana de treinos (a equipe se concentrou em Folkestone dias antes da travessia). "Ainda não assimilei, parece mentira, mas não é", comentou Martinha, que já tinha feito a travessia solo em 2006. "Sim, eu já fazia parte desta história, mas agora, com uma equipe, foi milhões de vezes melhor!"

Tensão e euforia

Mas é claro que houve dificuldades. A temperatura da água manteve-se por volta de 15 graus e, no retorno a Dover, o grupo enfrentou fortes correntes marítimas, que quase provocaram o cancelamento da prova, pois os supervisores chegaram a pensar que as atletas não conseguiriam superar as adversidades. Às 4h42min do dia 28, quando a atleta Luciana Akissue chegou à costa de Dover, o grupo comemorou a vitória ao vivo com a torcida (em grande parte brasileira), que acompanhava tudo pela internet.

"Uma boa preparação e o entrosamento entre os participantes são fundamentais para o sucesso de um projeto como esse", resumiu o treinador Agnaldo Arsuffi que, ao lado do técnico Igor de Souza, comandou a equipe vitoriosa. "Não é uma aventura, você tem de se preparar para conquistar seus objetivos."

 


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