Uma piscina de 50 metros de comprimento com temperatura de 28 graus Celsius. Doze nadadores. Onze profissionais de suporte aos atletas. Cronômetro. Palmar. Pé de pato. Paraquedas. Câmera fotográfica. Para completar o ambiente, banners sinalizam que o centro esportivo localizado no coração do Crystal Palace Park, no sul de Londres, é o quartel-general da equipe brasileira olímpica de natação. O local recebeu a equipe durante 12 dias em junho e será o QG dos brasileiros durante os Jogos Olímpicos de 2012.
“Entre todas as alternativas para a aclimatação dos Jogos Olímpicos, esta foi identificada por ser dentro de Londres e oferecer boas condições técnicas para treinamento”, afirmou o superintendente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Ricardo Moura, em entrevista à Real no mês passado.
Para César Cielo, 24 anos, que subiu ao pódio duas vezes em Pequim-2008, treinar em Londres pouco mais de um ano antes da competição foi uma boa oportunidade. “Estar mais familiarizado com o local deixa a gente mais tranquilo e com uma preocupação a menos para o próximo ano. Nos deixa mais seguros. É uma vantagenzinha a mais que a gente tem em relação aos adversários”, apontou o campeão olímpico dos 50m livre.
Carolina Mussi, 22, que espera disputar a sua primeira Olimpíada em 2012, destaca que o momento é importante para inspirar os atletas. “Ficam todos mais focados em conseguir o índice dos Jogos. A gente vê que já está tudo preparado e que está tudo bem perto de acontecer.” Felipe França Silva, 24, medalhas de ouro e bronze no Mundial de Dubai em 2010, também aprovou a passagem por Londres. “A estrutura é boa e tranquila. Estamos nos ambientando e isso é muito importante.”
Conhecer o local antes dos Jogos, segundo o superintendente Moura, é importante não somente para sentir o clima olímpico, mas também para reunir a equipe, pois cada um vem da sua cidade. “Aqui é possível transformar este grupo em uma equipe. O ambiente está proporcionando esta passagem”, enfatizou. Ele explicou ainda que todas as vezes que se vai para um grande evento, existem dois complicadores: o ambiente externo, que é a competição, e o ambiente interno, que é fazer com que os atletas atinjam o grau de competição que a natação adquiriu nos últimos anos. “Este grau é muito alto. Existem muitas variáveis para enfrentar. Tem que estar focado e concentrado para poder superá-las.”
Vamos torcer, Brasil!
Durante a estada da equipe em Crystal Palace, foi possível ver que o Brasil tem uma equipe forte, disciplinada, unida e bem treinada. O que mais pode fazer a diferença para um bom desempenho olímpico? A torcida. “Peço para que a comunidade brasileira em Londres nos apoie. Cada brasileiro integrante desta comitiva precisa muito deles. Muitos brasileiros estiveram aqui e foi possível ver o brilho nos olhos deles. É de cada brilho deste olhos que nós precisamos”, conclamou Ricardo Moura.
O nadador Felipe França fez coro. “O momento em que se está no bloco, olhando para todos os competidores que buscam o mesmo objetivo, é de muita pressão. É preciso estar focado e a participação da torcida é muito importante.”