Quinta-Feira, 09 de Fevereiro de 2012







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InícioEspeciaisO virtual que transforma a realidade Apoio às comunidades excluídas  
Apoio às comunidades excluídas
Trabalho do CDI é referência no país, onde 104 milhões de brasileiros não têm acesso a um computador, segundo dados do IBGE
Dayane Garcia
Abril 2010
“Um sonho que se sonha junto vira realidade”, diz Rodrigo Baggio, parafraseando Raul Seixas - Foto: Rodrigo Baggio

Num século marcado pela velocidade da informação, imagine escrever um texto sem a ajuda do Word, usando apenas papel e caneta. Ou mandar cartas para os amigos ao invés de um email, um recado no Orkut, Facebook, Tweeter, dentre outros diversos sites de relacionamento. Ou, quem sabe ainda, procurar um emprego através do “boca a boca”, sem a ajuda do currículo impresso, cadastramento via websites, criação de portfólios, etc. Que tal? Você consegue se imaginar nessa realidade?

Apesar de parecer um tanto improvável ou mesmo impossível para muitos, esta é, entretanto, a realidade para mais de 104 milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a um computador, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tornar esse acesso possível e útil no contexto das populações socialmente excluídas é justamente o trabalho que o CDI vem desenvolvendo nos últimos 15 anos.

“Nosso maior desafio foi criar a cultura de que era possível que pessoas de baixa renda usassem a tecnologia. Hoje estamos em 13 países ensinando a comunidade não só a usar o Windows, Word, Excel, Power Point, edição de vídeo digital, manutenção de computadores, dentre outros cursos, mas também estimulando o exercício da cidadania, o desenvolvimento comunitário, a formação de redes sociais e a troca de experiências,” diz Rodrigo Baggio.

Mudando a realidade

Um exemplo de exercício da cidadania e desenvolvimento comunitário aconteceu na favela Paraisópolis, em São Paulo. Era o primeiro dia de aula na nova unidade do CDI e como parte da atividade, um grupo de 10 alunos, com o auxílio de câmeras fotográficas, filmadoras e celulares, deveria registrar o que mais lhe chamasse a atenção na comunidade. Dentre as muitas fotos e vídeos que as crianças trouxeram, Baggio conta que a imagem que mais apareceu mostrava ratos grandes, que faziam parte do convívio dos moradores da favela.

Como parte da metodologia do CDI, o uso da tecnologia para levantar soluções para um problema da comunidade que eles próprios devem escolher, enfrentar e superar, as crianças escolheram os ratos como tema de estudo. Com a orientação dos professores, descobriram na internet as doenças transmitidas pelos ratos e o lixo como agente causador do aparecimento dos bichos, dentre outras pestes.

Ainda nas páginas da web, aprenderam o que é reciclagem e como desenvolver o trabalho. Com a ajuda do Word, desenvolveram um plano de palestras sobre o tema para a comunidade e, a partir da aula de vídeo digital, realizaram um filme sobre o projeto, encaminhado à prefeitura, que mandou caminhões para a coleta do lixo que se acumulava na favela.

Resultado: Após seis meses de reciclagem efetiva na comunidade, os moradores já não enfrentavam problemas com os ratos. “Apenas dez jovens, usando a tecnologia como ferramenta de transformação, tranformaram a comunidade. Essa é a realização que eu buscava,” diz Baggio.


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