Domingo, 05 de Setembro de 2010







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Adeus, Glauco!
O assassinato de um dos “Três Amigos” nos tirou um dos maiores cronistas do cotidiano
Humberto Yashima
Abril 2010

Após a chocante notícia do assassinato do cartunista Glauco Vilas-Boas (1957-2010) e de seu filho Raoni (1985-2010), na madrugada do dia 12 de março, em São Paulo, vários cartunistas prestaram suas homenagens ao criador de personagens como Geraldão, Dona Marta e Casal Neuras em blogs, fotologs e sites. A Folha de S. Paulo, em sua edição do dia 13 de março, publicou um caderno especial sobre Glauco, além de deixar em branco a seção de Quadrinhos. O blog Universo HQ (http://universohq.blogspot.com/) está postando diversas homenagens ao cartunista, feitas por artistas de todo o Brasil.
A Associação dos Cartunistas do Brasil divulgou o texto Violência sem Nexo (leia abaixo). A Real, através do Mondo HQB, presta sua homenagem a Glauco com ilustrações dos cartunistas Sassá, de Londrina (PR), e Marcio Baraldi, de São Paulo. Dos Arquivos Incríveis, de João Antonio Buhrer de Almeida, também publicamos abaixo os artigos Balaio do Glauco e Minorias do Glauco nº 1 (originalmente postados no http://bigorna.net).

Violência sem Nexo
"Todos estamos pasmos com o nível de violência com mais uma notícia sobre a morte de pai e filho em São Paulo. Desta vez foi nosso amigo Glauco Vilas Boas e seu filho Raoni. Dois grandes desenhistas que escolheram o humor gráfico para pensar o ser humano. Glauco, companheiro de sempre de Laerte, Angelí, Toninho Mendes e Adão Iturusgarai nos quadrinhos, publicava na Folha de São Paulo desde 1977. Seus personagens satirizavam as relações de uma geração perdida entre as questões comportamentais e instintivas do ser humano. Usava o humor como arma de anteparo à violência. Foi uma das "crias" de Henfil. Podemos ver em seus traços e personagens a marca do questionamento herdada de seu mestre. Seu filho Raoni também escolheu ser cartunista e trabalhava com o pai. A notícia de uma execução sumária, como muitas que acontecem nas grandes cidades, é quase que sem nexo diante de alguém que justamente lutava contra isso. Fica a lembrança, para todos nós cartunistas, de um amigo que fez de sua vida uma história de sucesso no humor gráfico do país. E o compromisso de continuarmos na batalha de enfrentarmos a violência de nossos dias com o que melhor sabemos fazer - o humor. Salve Glauco. Salve Raoni."

Arquivos Incríveis: Balaio do Glauco

Acompanhei a carreira do Glauco passo-a-passo, creio que não perdi um lance. Mas nunca pude ter o prazer de conhecê-lo pessoalmente. Tínhamos a mesma idade, inclusive. Há algum tempo venho organizando meus arquivos relativos a ele, sendo que sua morte me pegou na metade deste trabalho. O que me resta é terminar tudo e mostrar para os amigos um pouco de cada coisa que produziu, agora como uma homenagem póstuma. Ultimamente ele tinha se reciclado, tinha modernizado antigos personagens e o traço ficado mais bonito. Estava vendo estas mudanças com muita alegria e atenção. 
Gostei muito dos últimos personagens criados por ele: Faquinha, Nojinsk, Capitão Bolachinha e o Cacique Jaraguá. O Faquinha é o ambiente da periferia e sua violência; o Capitão Bolachinha é um personagem infantil nos moldes de Calvin e Little Nemo; o Capitão Jaraguá é um índio vivendo em plena metrópole.
Arquivos Incríveis: Minorias do Glauco nº 1
Este foi o primeiro livro do Glauco, lançado pela Edições Lira Paulistana, em 1982. O Teatro Lira Paulistana, que acabou de festejar 30 anos, além de divulgar em seu pequeno palco musical toda a chamada "Vanguarda Paulistana", também teve um selo de discos independentes e uma pequena editora. Editora esta que publicou apenas este livrinho do Glauco e mais outro infantil.

*Humberto Yashima é articulista do site Bigorna.net


 

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