Seguindo o exemplo de grifes como Louis Vuitton e Dolce & Gabbana, este ano a semana de moda de Londres teve transmitidos, on-line, não apenas um, mas 29 desfiles da coleção outono/inverno, numa cobertura que chegou em diversos países ao redor do mundo em tempo real. Quem quis ver os conservadores casacos da Burberry ou os arrojados vestidos de Daniela Helayel, a brasileira por trás da grife Issa London, só precisou de um computador com acesso à internet e pipoca. Nada de fila. Nada de tentar barganhar um convite. Nada de ficar em pé, assistindo tudo do fundo do salão.
Pegando carona na ‘nova’ mídia, a London Fashion Week também criou pela primeira vez um espaço digital, com mostras de filmes criados por designers e que foram exibidos em uma das salas da Somerset House, local oficial dos desfiles principais. Mais do que uma oportunidade para talentos da moda mostrarem as tendências da próxima estação, o evento tem servido ao longo dos anos para aquecer a economia ao movimentar valores estimados em cerca de £30 milhões.
O público moderno – a maioria formado por artistas e profissionais da mídia – que foi conferir de perto 68 desfiles dos mais variados estilos, talvez não tenha percebido o corre-corre nos bastidores, o batalhão de fornecedores ou sequer
parado um momento para calcular a quantidade de pessoas necessárias para manter o evento a todo vapor. Mas com certeza este seleto grupo contribuiu para que a semana de moda continue gerando números no mínimo impressionantes, como os pedidos que inundaram a edição passada do evento, que chegaram a nada menos do que £100 milhões.
Para quem acha que London Fashion Week é apenas gliter, vale lembrar que o setor da moda, capitaneado pelo comércio de roupas e acessórios, é o segundo maior empregador no país, ficando atrás apenas da área de serviços.
Exposições paralelas
Como nem só de passarela é feito um evento de moda, diversas exposições aconteceram simultaneamente dentro da London Fashion Week, incluindo lingerie, chapéus, bolsas, sapatos e fotografia, entre outros.
A Irlandesa Orla Kiely, por exemplo – sim, aquela dos elegantes chocolates orgânicos em caixas marrom com folhas coloridas - misturou um pouco de arte cênica e uma boa dose de talento e sensibilidade prepararando uma instalação dupla, claramente inspirada nos anos 60, com modelos alternando entre um lado e outro dos cenários em movimentos do cotidiano, como pendurar um casaco, assistir televisão, sair de casa, sentar na sala…
Adeus a McQueen
O estilista inglês Alexander McQueen, 40 anos, que cometeu suicídio em Londres uma semana antes da London Fashion Week, foi homenageado na abertura do evento com um minuto de silêncio e um mural de recados na área de desfiles exibidos na Somerset House. A maioria do público que usou o discreto espaço para deixar uma homenagem era jovem, na faixa de 20 a 30 anos, que lamentou a morte prematura do estilista conhecido pela sua ousadia e irreverência, qualidades que o levaram da classe operária inglesa a trabalhos para Givenchy e Gucci, antes de criar a sua própria marca.