Sexta-Feira, 18 de Maio de 2012







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West Highland Way
A famosa rota na Escócia é repleta de história, belezas naturais e atrai caminhantes de todas as partes do mundo
Marcelo Nunes (especial para a Real)
Janeiro 2012

West Highland Way foi uma aventura planejada há quatro anos com o meu amigo português e parceiro de traking Miguel Pedrosa, logo após terminarmos uma jornada na famosa Serra do Geres, em Portugal. É uma rota de 150 km através da Escócia, entre Milngavie, cidade próxima a Glasgow, e Fort William, uma vila fundada no século XVII. O caminho se estende por entre vilas, vales, montanhas, matas, bosques, rios, lagos e campos com uma exuberante flora e fauna. Isso tudo faz da região um local paradisíaco, singular, capaz de nos transportar ao infinito imaginário e de nos proporcionar uma enorme paz interior.

Nossa aventura começou em Fort William. Optamos por fazer a rota ao inverso por questão estratégica (física/climática), já que incluímos no roteiro a subida da montanha mais alta do Reino Unido, a Ben Nevis, com 1.344 metros de altitude. Tínhamos apenas seis dias para desvendarmos toda esta beleza natural e o tempo corria contra o relógio. Aproveitamos a primeira noite para conhecer um pouco da cultura e tradição do povo de Fort William e tivemos sorte. Fomos a um tradicional pub escocês com música regional celta ao vivo. Muitos nativos, alegres e receptivos, se divertiam. Aproveitamos para degustar o tradicional whisk caseiro e nos sentimos como se tivéssemos voltado ao tempo medieval, fantástico.

Na manhã seguinte partimos em direção à montanha. Já no trajeto entre a cidade e o Park Ben Nevis, encontramos muitas pessoas com mochilas nas costas com o mesmo destino. Entre as duas rotas existentes e bem sinalizadas, optamos pela mais longa, de oito horas, por ter uma vista mais atrativa. A subida transcorreu naturalmente com pequenos intervalos para descanso, quando aproveitamos para fazer novas amizades com pessoas oriundas dos mais diversos países. Ao chegarmos no topo da montanha, nos deslumbramos com a paisagem. Simplesmente indescritível, linda. Admiramos a beleza natural da região que se estendia por entre vales e lagos e um horizonte quase que infinito de campos e montanhas.

Durante a descida a história foi diferente, pois o caminho tem um piso irregular com muitas pedras e uma chuva, horas antes da chegada, provocou um esforço extremo dos joelhos. Não fossem os bastões, que ajudaram a distribuir o peso do corpo, talvez não tivéssemos chegado antes do cair da noite. Já no hostel tivemos de usar pomada anestésica para poder dormir, pois no dia seguinte começaríamos a caminhada da rota West Highland Way e estávamos preocupados com as nossas condições físicas. Apesar disso, à noite ainda tivemos tempo e disposição para confraternizar com vários outros caminhantes que estavam hospedados no hostel, tomar cerveja e tocar viola.

Beleza e história

No dia seguinte, logo cedo, saímos em direção à rota de destino. Foram oito horas de caminhada até chegarmos a Kinlochleven Village, onde ficaríamos a primeira noite. O caminho é repleto de beleza natural e história medieval. Alguns dos lugares por onde passamos foram palcos de importantes batalhas entre escoceses e ingleses. Ruínas de antigas habitações registram bem esse passado. Passamos a noite em um hostel, que tinha uma vista lindíssima de toda a vila.

Acordamos cedo no dia seguinte e fizemos o nosso breakfast respirando o ar puro da região, com a vista do vale e da vila à nossa volta, e partimos em direção ao nosso próximo destino, Bridge of Orchy. Este foi, na minha opinião, o trajeto mais deslumbrante, onde senti uma forte energia, principalmente quando caminhava ao longo do grande vale, o mais bonito da região. Foi um momento de reflexão e de emoção que me permitiu recordar momentos importantes da minha vida e agradecer a oportunidade de estar ali.

Depois de uma árdua caminhada de subidas e descidas íngremes e de um terreno bastante irregular, chegamos ao destino. No terceiro dia fomos de trem até Tarbet Village, de onde caminhamos até o Loch Lomond. Após algumas horas de percurso por entre matas, campos e propriedades rurais, chegamos a Luss Village, uma vila antiga e tradicional da região, de onde pegamos um barco para Balmaha Village. A viagem de barco durou uma hora e passamos por pequenas ilhas, em sua maioria reservas naturais, onde pode-se avistar uma grande diversidade de pássaros.

Chegamos em Balmaha Village, uma pequena vila localizada em uma linda baía, rodeada por montanhas e habitada por um povo hospitaleiro e alegre. Mais uma noite em um hostel, propriedade da ex-mulher de Ronald Arthur Biggs, o famoso assaltante do trem pagador na Inglaterra, na década de 60. Na manhã seguinte saímos em direção a Drymen Village. Neste trajeto tivemos a oportunidade de ver uma paisagem diferente, com predomínio dos campos agrícolas, onde encontramos um dos animais que mais desejávamos ver, o famoso Highland Cow, o típico boi escocês, exótico e bonito.

Fazendas com mansões antigas e belos lagos e uma vegetação de diferentes espécies e maior abundância de flores também destacam-se nesta região. À noite ficamos hospedados em uma antiga casa colonial de amigos nativos. No quinto e último dia saímos em direção a Milngavie, destino final. No trajeto encontramos alguns amigos que conhecemos no início da caminhada. Foi um trajeto mais tranquilo, sem maiores esforços físicos. Antes de chegar a Milngavie, atravessamos um grande parque, reserva natural belíssima com várias espécies de plantas e pequenos riachos. Chegando na pequena cidade, fomos ao marco principal que dá inicio à rota, no centro de Milngavie. Foi um momento de alegria e confraternização, onde agradecemos por tudo ter transcorrido da melhor forma.

Dicas básicas

- Para uma aventura deste gênero, leve sempre bastões para aliviar o esforço fisico;
- Leve uma mochila com apenas o necessário e um peso máximo de 10 kg;
- Não esqueça nunca da água;
- Planeje a sua viagem com antecedência para fazer o percurso durante o verão.

Mais informações
Se você quer experimentar essa aventura, vai encontrar toda a informação que precisa no website: http://www.contours.co.uk/walking-holidays/west-highland-way


Edição
Mai /12
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