Quinta-Feira, 23 de Fevereiro de 2012







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O dilema da maternidade
Matéria publicada pela Real em outubro do ano passado ainda repercute junto às mães brasileiras no Reino Unido
Da Editoria
Janeiro 2012

Três meses após publicar a matéria "O dilema da maternidade: ter o bebê aqui ou no Brasil?", na edição de outubro de 2011, recebemos vários emails de mães brasileiras se manifestando sobre os diversos aspectos que envolvem o delicado tema. A repercussão foi tamanha que decidimos abrir espaço para dois depoimentos que podem esclarecer algumas dúvidas de outras mulheres, que por ventura estejam vivendo esse momento especial. Afinal, o que é melhor: voltar ao Brasil ou ter o filho no Reino Unido?
Gostaríamos de reforçar que a escolha do país para realizar o parto "envolve uma série de circunstâncias pessoais, profissionais e financeiras", como publicamos na matéria da edição 106, de outubro passado. Ou seja, é uma decisão pessoal. As experiências são únicas e não é porque uma mãe escolheu o Brasil ou o Reino Unido para ter o seu filho e teve um acompanhamento e atendimento bom ou ruim, que as demais terão o mesmo tratamento ou sorte.
Dentre as cartas recebidas pela redação, selecionados os depoimentos das leitoras Suzan Correa e Edelma Phillips.

Dicas às mães de primeira viagem

Olá pessoal da Revista Real,
Eu gosto muito da Revista Real e gostaria de parabenizá-los pelo excelente trabalho.
Esclareço que sou brasileira e amo o meu país de paixão! Mas sei que tanto o Brasil como o Reino Unido têm muitas coisas boas e também têm os seus problemas. Achei muito interessante e com excelentes dicas o artigo "O dilema da maternidade: ter o bebê aqui ou no Brasil?", e ficarei grata se vocês publicarem a minha opinião para as "mães de primeira viagem":
1) a palavra 'midwife' poderia ser traduzida para o português como algo assim: "enfermeira altamente qualificada em obstetrícia" e NÃO uma mera "parteira". Muitas pessoas no Brasil, ao ouvirem a palavra "parteira", lembram-se dos tempos de antigamente, daquelas mulheres sem instrução que auxiliavam os partos.
2) No Brasil eu sempre tive plano de saúde particular. Decidi ter minha filhinha aqui em Londres, em outubro de 2008, e o atendimento público do NHS foi excelente do início ao fim. Durante os 10 anos que estou em Londres eu sempre mantive contato com minha médica particular brasileira que me atendeu durante 15 anos no Brasil. Durante a minha gravidez em Londres, tanto o GP, o pessoal do hospital e todos da área de saúde me trataram muito bem. Com relação à ecografia, que no Brasil são 10 e aqui são três, me informei com a médica brasileira e a conclusão que tive é que no Brasil o caso é mais comercial! Não há necessidade de tantas ecografias!
3) No Brasil, a mulher tem o "direito" de optar por parto normal ou cesariana. Mas eu conheço casos de amigas que queriam ter o parto normal (parto natural, muito melhor para o bebê e para a mãe) mas elas NÃO conseguiram médico que quisessem fazer parto normal. Os médicos queriam partos cesarianas com horário marcado e com o dinheiro no bolso. Não era questão financeira das minhas amigas, todas elas tinham plano de saúde particular por muitos anos.
Bom, espero ter contribuído para com as "mães de primeira viagem" não ficarem com receio de terem seus bebês aqui no Reino Unido. Durante toda a minha gravidez, o atendimento na hora do parto e o atendimento pós-parto foi excelente, graças a Deus.
Um abraço para vocês.
Edelma Phillips
Londres

A informação é a melhor saída
Sou brasileira, casada e tenho três filhos, dois nascidos em Londres. Sou estudante de Midwifery, (enfermagem obstetrícia ou do parto). Estudo na University of West London (antiga TVU Thames Valley University) e faço estágio no Northwick Park Hospital. Este é um depoimento para as futuras mamães que estão no Reino Unido. Ter ou não um filho na Inglaterra é uma decisão muito pessoal e não deve ser apenas baseada em depoimentos, mas sim em fatos. Há muitas mulheres brasileiras que tiveram seus filhos num mesmo hospital com experiências das mais variadas. Nesse caso, melhor a fazer é buscar informações nas fontes corretas e seu GP poderá ser o ponto de partida. Porém, o melhor meio de obter é através de uma midwife ou no site do NHS.
Eu tinha muitas dúvidas sobre o sistema de saúde daqui durante minh a gravidez e não sabia como o sistema pré-natal, parto e pós-parto daqui funcionavam. Apesar de procurar amigas para me informar, a melhor forma que descobri foi com minha midwife. As consultas pré-natal foram essenciais para me informar sobre o que estava acontecendo e descobrir todas as opções disponíveis a meu favor. Descobri que uma gestante tem no mínimo seis consultas pré-natais (primeira gravidez), tem direito a intérprete caso necessário, a analgesia, parto em casa, parto na água, alguns benefícios, assistência odontológica, acompanhante no parto, visitas domiciliar pós-parto, aulas pré-natal (inclusive ao pai), visita à maternidade (durante a gravidez), plano de parto, etc.
Foi durante o pré-natal que descobri minha vocação pra Midwifery. Me sinto bastante orgulhosa em ajudar as gestantes brasileiras durante esse período mágico nos meus estágios. Minha dica é: não tenha medo ou vergonha de perguntar, pois a informação é a melhor saída para suas dúvidas.
The pregnancy book – ou Birth to Five – Livros informativos sobre gravidez, parto e pós-parto. Peça à sua midwife.
Site útil: www.nhs.uk/Planners/pregnancycareplanner/Pages/PregnancyHome.aspx
Suzan Correa
Student Midwife – Londres





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